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Cristiano, Giovani, Ítalo, Rodrigo Dantas e Rodrigão; Everton Luiz,
Maradona, Jadílson, Thiago Marabá, Elsinho e Diego Aragão |
O futebol vive de ciclos. Os tempos de dificuldade realçam o valor das vitórias. Certa vez, caro leitor, o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto explicou sua paixão pelo América do Recife com sábias e precisas palavras: “O desábito de vencer não cria o calo da vitória; não dá à vitória o fio cego nem lhe cansa as molas nervosas”. Mas, quando apareciam, continuava o poeta, os triunfos eram comemorados com requintes, como se um banquete de cerimônia fosse apresentado a cada torcedor. O título, então, era a catarse. Comemorações tão efusivas que ganhavam lugar na primeira estante da memória.
O CRB passou por algumas provações nos últimos anos. Viu o ASA conquistar a hegemonia do Estado e, por pouco, não visitou os descampados da Série D. A perda repentina do calendário atormentava o regatiano. Depois de 15 anos na Segundona do Brasileiro, a decadência parecia iminente. Parecia.
O Galo renasceu com este elenco. Pode não ser um esquadrão invencível, mas acostumou-se a vencer e a alimentar o universo fantástico de seu torcedor. A conquista da vaga na Série B veio com planejamento e um trabalho muito bem executado. Um grupo vencedor foi formado, trouxe a glória da Série B e seguiu na Pajuçara para o desafio do centenário.
Nesses tantos anos de futebol, o CRB viveu fases distintas, atravessou vários ciclos. Em 2011, o disco do Galo, enfim, virou. O ruim tornou-se bom, e os tempos difíceis serviram apenas para aumentar o poder do grito. Domingo, deu para ouvir a voz da massa vermelha por léguas de distância. Essas palavras foram alimentadas por sofrimento, esperança e, principalmente, pela força das derrotas recentes.
Personagem - Cristiano merece destaque no time do CRB. O goleiro viu o estádio tornar-se hostil quando Audálio marcou o segundo gol do ASA na prorrogação. A derrota pesaria sobre suas costas. Mas veio o gol de falta de Giovani e, com ele, as cobranças de pênalti.
A defesa - Refeito do erro, Cristiano defendeu o pênalti batido pelo artilheiro Lúcio Maranhão e foi muito importante para o desfecho da trama. Com a taça do Primeiro Turno nas mãos, o goleiro chorou as lágrimas da recuperação.
Crédito da foto; Yvette Moura/ O JORNAL