quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Vica fala sobre ASA, Fluminense e seus projetos

Grande comandante da nau alvinegra, o paulista José Luis Mauro, o Vica, já faz parte do inconsciente dos torcedores do ASA. Nenhum técnico fez mais sucesso do que ele em Arapiraca. A aposta da diretoria de 2008 se transformou numa realidade ainda na Série C do ano passado e ganhou status de ídolo nesta temporada, com a conquista do Campeonato Estadual e da cobiçada vaga no Brasileiro da Série B.
Vica montou esse grupo, tem a confiança dos jogadores, mas comanda o ASA com pulso firme. Inquieto, ele não costuma distribuir sorrisos nem mesmo nos treinos mais leves. A história do treinador começou a ser forjada ainda nos tempos de jogador de futebol. Ele se profissionalizou no início da década de 80, no Ferroviária-SP, time de sua cidade natal, Araraquara. Caracterizado pela presença na área e também por ter boa habilidade para um zagueiro, Vica ganhou projeção e, depois de passar pelo Joinville e voltar ao seu clube de origem, foi contratado pelo Fluminense em 1984. Com 23 anos, ele era o reserva imediato de Ricardo Gomes e Duílio e foi muito importante na conquista do título brasileiro daquela temporada pelo Flu. “Cheguei na reserva, mas, como o Ricardo era convocado para a seleção, entrava na equipe. Depois, ele sofreu uma lesão no joelho, ganhei a posição e fui capitão do Tricolor no título carioca de 85”, recordou.
O zagueiro ficou nas Laranjeiras até 1988, quando se transferiu para o Coritiba, onde conquistou o Estadual de 89. Ele ainda passou por Atlético-PR, Comercial-SP e Paraná e, em 92, voltou ao Fluminense para ser vice-campeão da Copa do Brasil. Depois, ainda jogou no São José-SP, retornou ao Atlético-PR e, em 94, descobriu o futebol goiano, onde iria ser lançado como treinador. O jogador atuou pelo Itumbiara e encerrou a carreira em 1995, com 34 anos, no Rio Branco-PR.
Líder por onde passou, Vica esperou um ano e iniciou o trabalho como técnico em 1996, no Itumbiara. Seu primeiro resultado expressivo foi a conquista do terceiro lugar no Campeonato Goiano de 1998, com o Anapolina. Depois, brilhou ao levar o Goiás ao título estadual, em 2001. Passou por clubes de Amazonas, São Paulo, Paraná e Minas Gerais e, antes de acertar com o ASA, estava no Grêmio Jaciara-MT.

Quando começou a pensar em ser treinador?

- Sempre fui capitão, como, por exemplo, no time do Fluminense tricampeão carioca, em 1985, tinha uma certa liderança nas equipes que jogava e já pensava em ser técnico ainda nos tempos de atleta. Abandonei os gramados em 1995, com 34 anos, no Rio Branco (PR) e, um ano depois, fui chamado para ser técnico do Itumbiara, de Goiás. Depois, parei até 1998 e, nesse período, fiz alguns cursos no Rio e São Paulo. Cheguei a pensar em empresariar jogadores, mas acabei sendo chamado para trabalhar na Anapolina e não parei mais.

- Você se espelhou em algum técnico? Quem foi o grande mestre de Vica nos tempos de jogador?

- Tive muitos treinadores e de cada um deles procurei tirar o melhor. Já trabalhei com técnicos consagrados, como Parreira, Luiz Felipe Scolari, Leão, Valdir Espinosa e Antônio Lopes. Com o Leão, por exemplo, aprendi a disciplina; ele cobrava muito dos atletas. O Lopes era um especialista na parte tática, assim como o Parreira, que orientava a forma como o time deveria sair com a bola. Por ter conquistado o título brasileiro em 84, com o Fluminense, considero o Parreira o melhor técnico que tive.

- O esquema 3-6-1 é o seu preferido?

- Não gosto muito de falar sobre esquema. Quando estou montando um grupo, sempre peço à diretoria que me dê opções, dois laterais, dois alas, enfim, jogadores versáteis. Costumo dizer que trabalho meu time para ser competitivo, mas não fico preso a um sistema. No ASA, por exemplo, tenho o Fábio Lopes, que joga como um atacante canhoto e também atua na meia. Isso me dá opções táticas, já que posso sair do 3-6-1 para o 3-5-2 durante uma partida. Outra boa opção é o Edson Veneno, que pode ser deslocado da zaga para a lateral, com o Didira ganhando liberdade para avançar. O bom esquema é o que deixa o time equilibrado. O Didira é lateral-direito de origem, mas o coloquei no meio-campo e agora na esquerda, quando o Renatinho se machucou. Esse é um curinga, que pode jogar até no ataque pelo qualidade de seu futebol.

- Já traçou metas para a sua carreira? Qual será o próximo passo?

- Eu tenho uma meta de voltar a um clube de ponta até completar 50 anos. Hoje, tenho 48 e vivo um grande momento no ASA. Já trabalhei no Goiás e no São Caetano e também comandei o Anapolina na Série B. Estava longe desse mercado, mas, com essa campanha na Série C, tivemos um crescimento profissional. E incluo nisso o próprio clube e os jogadores.

- Você continua no clube para a disputa da Série B ou vai buscar novos desafios?

-Nós estamos deixando isso para conversar depois. Há interesse de ambas as partes, mas falei com a diretoria para não tocar nesse assunto até o fim da Série C. Até lá, tudo o que for comentado sobre o assunto será mera especulação.

- A torcida do ASA lhe considera o grande mentor dessa equipe. Você prefere escolher seus jogadores de confiança ou contratar ouvindo a diretoria?

- Eu converso com a diretoria e até com empresários na hora de montar um grupo. Mas eles passam os nomes e vou pesquisar. Também não sou o dono da verdade: indico alguns atletas que conheço e peço aos dirigentes para pesquisarem sobre eles. Foi assim com o goleiro Tuti, e o lateral-direito Flávio, que já trabalharam comigo antes. O meia Fábio Lopes e o volante Ivo, por exemplo, observei com calma. Outra coisa importante é que um treinador não pode queimar um atleta por causa de uma ou duas partidas. Quem saiu antes do campeonato terminar aqui foi por causa de problemas disciplinares. Reformulação só deve ser feita após as competições.

- O que você acha da situação do Fluminense no Brasileirão?

- O Fluminense precisa agora buscar suas origens. Aquele time campeão brasileiro e tricampeão carioca na década de 80 treinava em Xerém sem ter a estrutura que existe lá atualmente. Sou contra essas viagens para Itu, por exemplo. O elenco precisa se unir num ambiente que crie identificação com o clube e Xerém seria o lugar ideal. Outra coisa que acho é que os torcedores não devem pressionar tanto os jovens talentos. O João Paulo e o Alan, por exemplo, têm muita qualidade. Eles vão acabar brilhando em outra equipe num futuro bem próximo. A mesma coisa vai acontecer com o Augusto. A diretoria do Fluminense me consultou sobre ele e informei que era um atleta de potencial, mas que precisava de tempo para se adaptar a um grande centro do futebol. Diante de tanta pressão, ele acabou tendo poucas oportunidades. Nesse momento, os garotos não podem receber toda essa carga.

Um comentário:

Anônimo disse...

acho que ele tá fuuuuuuuu kkkkkkk