sábado, 3 de outubro de 2009

Editorial - O futuro começa em 2016

O Brasil vai conhecer, agora, o significado de projeção internacional. A confirmação do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 representa um ritual de passagem para o País. O futuro, cantado em versos por otimistas profetas, está, enfim, no jardim da nossa casa, trazendo boas novas.
Uma Olimpíada representa mais do que um grande encontro esportivo; é a valorização de um povo e o reconhecimento da sua grandeza. Apenas 18 países, ao longo da história, atingiram esse cobiçado objetivo. Mas, agora, após a conquista da maioridade, o Brasil não tem mais o direito de cometer erros infantis ou adolescentes. É o momento de deixar o berço esplêndido e fazer a nação amadurecer de forma homogênea, sem preconceitos ou malandragem.
Recebemos a chancela do Comitê Olímpico Internacional pelo nosso enorme potencial. O ineditismo dos jogos na América do Sul contribuiu para a escolha, mas esse aspecto seria descartado se não houvesse um projeto ousado e muito bem elaborado. As cidades concorrentes do Rio, Madri, Tóquio e Chicago, formam um trio que há muito fez pacto com o Primeiro Mundo. O nosso país, em franco crescimento, entrou nesse grupo seleto e venceu ontem uma grande batalha esportiva e política.
Mas essa luta não chegou ao fim. A força do povo brasileiro será mensurada a partir da próxima década. Por enquanto, o País é conhecido de forma mais abrangente apenas por suas belezas naturais e o futebol. Agora temos que provar aos ímpios que somos mais, que formamos uma nação multicultural, com vocação para a glória. Não temos mais o direito de diminuir os nossos feitos e devemos aprender com os equívocos, principalmente políticos. Não fossem tantos, talvez esse tão esperado futuro já tivesse nos encontrado há mais tempo.
O mote da campanha carioca pela sede foi o poder transformador do País. Essa é a meta a ser cumprida. Com o aval dos anéis olímpicos, temos também que mudar os quadros de miséria, desenvolver políticas sociais sérias, dar dignidade aos cidadãos e, principalmente, investir pesado em educação. Esses são deveres que precisam correr ao lado dos nossos atletas de referência. Ontem tivemos o reconhecimento, mas ainda nos falta a certeza. A partir de hoje temos a obrigação de buscá-la qual fosse a medalha mais bela já forjada em Atenas.

Um comentário:

Eder Silva disse...

Parabéns pelo editorial. Muito bom.