terça-feira, 27 de outubro de 2009

Futebol feminino em debate

As adversárias facilitaram a vida do Santos na Taça Libertadores Feminina. Comandadas pela alagoana Marta, as Sereias da Vila conquistaram a taça com impressionante facilidade. Na decisão, o Peixe goleou o Universidad Autônoma, do Paraguai, por 9 x 0.
O baixo nível técnico das equipes ainda atrasa o avanço do futebol feminino na América do Sul. Nos Estados Unidos e na Europa, com organização e recursos, os clubes investem, e os jogos são equilibrados e muito mais atraentes. No País, a modalidade tenta arrancar impulsionada pelo sucesso de Marta, mas é óbvio que essas mudanças não vão ser implantadas com tanta facilidade. Ainda existe discriminação, e os patrocinadores não se empolgam, na medida em que os torcedores ainda são conservadores.
Em Alagoas, por exemplo, o Estadual começou a ser disputado com mais apoio da Federação nesta temporada, mas ainda falta zelo à modalidade. As meninas são jogadas em campos sem o mínimo de condição, como o decadente Estádio Cleto Marques Luz, não há acompanhamento médico, e a polícia também não oferece a segurança necessária para a realização dos jogos.
Dessa forma, a modalidade não vai evoluir. A criança precisa de cuidados e acompanhamento dos pais para se desenvolver de maneira saudável. Ao relento, ela tende a morrer. Vejo o futebol feminino na América do Sul ainda embalado pelo modismo. Na prática, as dificuldades impostas para as jovens de talento desenvolverem uma carreira profissional continuam quase as mesmas dos tempos em que a melhor jogadora do mundo deu os primeiros chutes em Dois Riachos.

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