sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Maradona, o homem que sequestrou o craque

Mais uma vez, o tema da coluna vai ser Maradona. Costumo falar do argentino porque suas jogadas mágicas povoaram a minha infância, e os rumos que sua carreira tomou ainda me causam espanto. Minha primeira perplexidade diante do futebol foi registrada em 1986, quando vi na TV aquele gol espetacular do "Pibe" contra a Inglaterra, na Copa do México. Acompanhei com atenção os passos do craque, vi seu apogeu e também me entristeci com sua queda. Torci para que Maradona se livrasse das drogas e conseguisse driblar a morte no lance mais dramático de sua trajetória.
Só não posso trair o craque e dizer que o Don Diego técnico merece aplausos. Ele está longe disso. A classificação da Argentina para a Copa do Mundo era uma obrigação do treinador e do elenco, que de acordo com matéria do site Futebol Finance, vale 390 milhões de euros. Sobram grandes atletas na seleção, mas falta sistema de jogo e, principalmente, postura ao comandante. A vitória da Argentina sobre o Uruguai, por 1 x 0, em Montevidéu, na última quarta, foi manchada pelas palavras de Maradona. O ódio destilado contra seus críticos foi lançado sem cerimônias após a partida. Faltou humildade ao treinador, que poderia usar a conquista para rever seus conceitos, absorver as críticas e usá-las para aperfeiçoar o seu trabalho. Mas não, ele preferiu jogar baixo e colocar mais lama em sua conturbada carreira. Olhando a foto envelhecida de Maradona na Copa de 86, percebo que, irremediavelmente, o craque se tornou refém do homem. Agora, já não podemos mais dividi-los em personagens. Diante de tantos erros, nem a magia da bola poderá mais separá-los.

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