sábado, 10 de outubro de 2009

O marasmo dos clubes de Maceió

Basta as competições profissionais darem uma parada para a torcida e, consequentemente, a imprensa darem mais atenção às divisões de base. O noticiário da garotada ganha destaque, e as revelações projetam o seu futuro no futebol. Infelizmente, os destaques de hoje de clubes como Corinthians-AL, CRB e CSA, dificilmente, vão brilhar com a camisa profissional. Com os holofotes, os maiores talentos ganham status e costumam ser negociados no primeiro ano com a camisa do time principal ou até quando ainda estão na base. O mercado precisa de peças de reposição, e apenas boas revelações alimentam a sua fome voraz.
Sou contra a esse tipo de negociação. O assédio à base facilita o aliciamento e enfraquece os clubes. Primeiro porque dificilmente um jogador será negociado por um valor significativo; segundo, porque um atleta identificado com a camisa vai perder esse vínculo já no início da carreira. Passado esse primeiro contato, dificilmente, ele vai defender um clube com a motivação dos amadores.
Mas, infelizmente, também sei que essas negociações são necessárias para a saúde financeira dos clubes de Maceió. Elas prolongam o sofrimento. Desses parcos reais saem o pagamento de dívidas contraídas ao longo da temporada e, quando não são desviados, ajudam a quitar a folha dos funcionários. Nessa toada, grandes clubes vão sobrevivendo, mas também pagam o preço de olhar sempre para o futuro com desconfiança.
As fontes de receita precisam mudar e, para isso, é necessária uma ação em conjunto, que passa por federações e confederação. A organização de campeonatos atraentes é a primeira alternativa, mas já foi comprovado na prática que, por culpa dos próprios cartolas, essa não é uma meta tão facilmente alcançável. Os Brasileiros das séries A e B são atraentes, mas elitistas. Os mais fracos economicamente, invariavelmente, têm vida curta na competição. Na Terceira e na Quarta divisões, só mesmos os fortes e corajosos sobrevivem. Sem o glamour de outros tempos, os estaduais também não têm saúde para fazer a transposição de recursos para os seus participantes. E tudo volta ao ponto nevrálgico.
A campanha de sócios e a venda de produtos com as marcas dos clubes são importantes, mas, para funcionarem, exigem organização e atrativos. Como o CRB, por exemplo, vai alavancar os seus projetos nessas áreas, num período em que o futebol profissional vai ficar hibernando por cinco meses? No CSA, que não tem perspectivas a curto prazo, os atrativos praticamente inexistem e o clube deve recorrer, em 2010, a outro paliativo: a ajuda política. Em nível local, esse recurso pode ainda ajudar, mas não vai se sustentar em competições nacionais, até porque os gastos do futebol, atualmente, são altos demais para que apenas duas ou três pessoas possam assumir as despesas.
Outras fontes de renda são a transmissão de jogos pela TV, um segmento que dá os primeiros passos no Estado, e a receita com as arrecadações nos estádios. Mas vale lembrar que, por pecados antigos, CRB e CSA precisam pagar débitos, principalmente trabalhistas, e os recursos da bilheteria são pulverizados antes mesmo de pegarem a estrada da Pajuçara e do Mutange. No Corinthians-AL, essa alternativa é imediatamente descartada, já que o clube não tem uma torcida com representatividade. Resta a esses clubes continuarem vendendo as suas revelações e sonhando com um patrocinador que acredite no potencial das suas marcas e decida fazer um investimento mais forte. Por enquanto, para essa meta ser atingida, ainda falta a regatianos e azulinos estrutura, e ao Corinthians, massa. Juntos, eles poderiam ser muito fortes. Mas azul, vermelho e preto são cores que não fariam uma boa combinação aos olhos dos apaixonados torcedores.

Bastidores
- O lançamento da Meia Maratona Eco Run, na última quarta-feira, no Ritz, reuniu a nata do esporte alagoano. Nas conversas de bastidores, um tema recorrente foi a situação dramática de CSA e CRB. A crônica esportiva e os dirigentes do esporte local estão muito preocupados com os caminhos tortos que os maiores clubes da capital estão tomando.

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