quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O nosso desafio olímpico

Comemorações efusivas deram o tom à vitória carioca na escolha da sede olímpica. O noticiário esportivo foi tomado pela boa nova, o orgulho nacional ficou estampado em cores berrantes no mapa do País, mas o momento de euforia precisa passar. Antes de entrar no mérito dessa análise, caro leitor, declaro que sou um dos entusiastas do evento. A oportunidade não poderia ser desprezada apenas pelo medo desmedido do titã. Sim, temos força para vencê-lo; nos falta apenas, nessa jornada, encontrar os meios mais adequados.
Por enquanto reconheço que o desafio ainda é maior que a honraria. Os deveres precisam ser muito bem feitos e, com eles, vão começar as justas cobranças. A maior preocupação em relação aos Jogos habita na esfera política. O Pan de 2007 foi uma farra de superfaturamento e, para completar, após as competições, as praças esportivas foram abandonadas no Rio de Janeiro. Agora, elas vão receber, outra vez, tratamento especial, mas não podem ser esquecidas em 2017. Esse é um compromisso político que cada dirigente empolgado com a vitória em Copenhague não pode colocar na gaveta.
Outro compromisso é com a força motriz do esporte nacional: o atleta. As Olimpíadas têm realmente o poder de mudar os rumos de uma cidade, de um Estado e os traços das mais diversas modalidades. Para sediar os Jogos, a nação precisa demonstrar, no mínimo, potencial em diversas áreas e zelo pela prática esportiva. No primeiro item, o Brasil ganha com folga de todos os vizinhos da América Latina, mas, no segundo, ainda corre no pelotão intermediário.
No País do Futebol, quase todas as modalidades vivem à margem da mídia nos anos não-olímpicos. Para ganhar projeção, precisam ter talentos que se destaquem no cenário internacional e, de preferência, colecionem medalhas de ouro em quase todos os finais de semana. A prata já costuma ser desprezada.
Da mesma forma que o Brasil tem força suficiente para dar um salto em sua economia, também tem o dom de se tornar uma potência olímpica. Mas, para isso, é fundamental que seja desenvolvida uma política séria no setor. No esporte, a base é a locomotiva que arregimenta atletas. Se o trabalho for feito com critério, acompanhamento técnico e investimento, vai se transformar em medalhas num prazo de dez anos ou até em um pouco menos. O maior problema desse tema é que os resultados são quase imperceptíveis no começo. O alicerce feito hoje, dificilmente, vai gerar lucros políticos para quem o projetou.
No Brasil, esse é um ônus que os dirigentes e os políticos odeiam carregar. Se mudarmos esse curso, o País poderá amedrontar rivais de destaque olímpico já em 2016. Para isso, os cartolas podem iniciar a jornada esquecendo as vaidades e simplesmente copiando os projetos mais bem elaborados, como o australiano e o cubano. Não é preciso ter um orçamento irreal para atingir essas metas, basta ter coragem, criatividade e, acima de tudo, amor à causa esportiva. Se os profissionais vestirem a camisa olímpica com a empolgação amadora, as barreiras vão começar a ruir. Será apenas uma questão de tempo.

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