sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Editorial - Cidades sem Copa

A Copa do Mundo de 2014 vai mexer com a economia do País. Milhares de turistas ávidos por futebol e compras vão redescobrir o Brasil e incendiar o comércio. Mas são apenas 12 cidades privilegiadas. Quem não foi convidado para o baile, como é o caso de Maceió, perderá investimentos, podendo apenas acompanhar, da geral, o crescimento acentuado das sedes que tiveram a chancela da Confederação Brasileira de Futebol.
As capitais mais ricas vão receber estádios modernos e investimentos pesados em infraestrutura. Assim, a diferença entre quem foi escolhido e quem sonha apenas em ser sub-sede será tão grande quanto a técnica de um campeão da Libertadores em relação ao vencedor da Série D.
Manaus, por exemplo, terá o estádio mais caro do País. As reformas do Vivaldão vão custar aos cofres públicos R$ 500 milhões. Para impressionar a massa, a nova arena do Amazonas terá até teto retrátil, semelhante aos dos mais imponentes estádios europeus.
A melhoria do sistema viário e o custo das obras necessárias para a adequação da região do estádio às exigências da Fifa vão chegar a R$ 6 bilhões; isso em uma cidade que deve sediar apenas seis jogos do Mundial. De acordo com o governo do Amazonas, esse investimento será recuperado não com a venda de ingressos, mas com o aquecimento do turismo na capital.
Estado de enorme potencial turístico, Alagoas perde hoje espaço no mercado justamente por falta de marketing e estrutura. Na última quarta-feira, o Ministério do Turismo divulgou uma pesquisa feita pelo Vox Populi que atesta a gravidade do problema. No Nordeste, Alagoas é apenas o quinto destino mais procurado, à frente de Paraíba, Sergipe, Maranhão e Piauí.
Mas não é fácil competir com a pujança financeira de estados como Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. As atrações turísticas de lá são realçadas pelo alto investimento feito no setor e, nos próximos anos, vão ganhar contornos ainda mais imponentes.
Após a Copa do Mundo, esses estados vão multiplicar por dez a capacidade de receber os visitantes com pompa e circunstância. Com orçamento bem mais modesto, os vizinhos, infelizmente, vão apenas ouvir o barulho da festa.

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