domingo, 13 de dezembro de 2009

O esporte para todas as classes

O esporte é o reflexo da sociedade. Há na disputa pequenas amostras do movimento social que acabam ensinando lições importantes de convivência aos seus praticantes. No universo olímpico existem também divisões de classe. Determinadas modalidades surgiram para preencher interesses de alguns segmentos da sociedade e, em muitos casos, houve mutações. Em outros, não.
O futebol, por exemplo, é o esporte mais popular do Planeta. Suas regras são amplamente conhecidas e sua magia encanta as massas e as elites. Sua origem é nobre. O esporte como nós conhecemos nasceu em faculdades inglesas de destaque no século XIX. O tempo passou e os atletas deixaram de ser integrantes da fina sociedade dos países em que se desenvolveu e ganhou espaço no meio do povo.
A modalidade se democratizou e a facilidade para que os seus praticantes fossem iniciados na disputa aumentou os adeptos. Primeiro, vieram os atletas amadores. Depois, surgiram as apaixonadas torcidas.
Atualmente, o futebol se transformou em um dos negócios mais rentáveis envolvendo entretenimento e movimenta fortunas para clubes, dirigentes e jogadores. Mas, obviamente, é preciso pagar um alto preço para fazer parte do grupo seleto dos destaques do esporte. Esse valor geralmente não encanta as classes A e B. As dificuldades enfrentadas durante o caminho que leva o talento ao profissionalismo afastam quem não precisa do esporte para ascender socialmente.
Por outro lado, o futebol se tornou um dos meios mais eficazes para mudar a vida dos menos favorecidos. Assim, o esporte ganhou força nos bairros mais pobres, e o baixo investimento necessário para praticar a modalidade continua atraindo multidões de candidatos a jogador.

Existem modalidades de elite

Dentro do universo olímpico, há também modalidades que precisam de grandes investimentos financeiros para iniciar novos adeptos. Nesse momento, as diferenças sociais ganham destaque e dividem o esporte entre a elite e o povo. Exemplos clássicos são o tênis e o hipismo.
Modalidades refinadas, elas exigem, normalmente, poder aquisitivo de seus praticantes. Ficaria impossível para jovens das classes C e D comprarem raquetes de no mínimo R$ 400,00 e pagarem mensalmente por espaços nas quadras. Recentemente, alguns projetos de inclusão social através do esporte começaram a utilizar o tênis em comunidades carentes, fornecendo material e quadras, mas não é fácil fazer esses jovens seguirem carreira, até porque as viagens e o custo dos torneios de base necessários para rankear os melhores atletas são elevados.
No hipismo, essa distância entre as classes é ainda maior. O preço de um cavalo é alto (o mais barato custa R$ 10 mil), o treinamento nas hípicas também não é acessível à maioria da população, e o investimento para dar sequência à carreira exige principalmente dos pais uma grande contribuição financeira. Nesta edição, fomos buscar personagens ligados às mais diversas modalidades em Alagoas que, sem preconceitos, podem fortalecer o debate sobre as divisões sociais entre e dentro das modalidades esportivas.

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