terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Renasce a magia do Flamengo

O Flamengo colocou a imponente faixa de campeão brasileiro. Depois de disparar para cima dos líderes no Segundo Turno, o Rubro-Negro provou em campo que é um time de chegada. A camisa realmente jogou muito neste campeonato. Aliás, o Fla ou qualquer clube do Rio de Janeiro não segue a cartilha de um campeão brasileiro por pontos corridos. Falta centro de treinamento, o planejamento deixa a desejar, os salários atrasam e as contratações são questionadas. Mas a magia da bola ainda é carioca. Talvez ela explique o que aconteceu nesta competição.
Os ditos organizados erraram demais nas provas de campo e abriram espaço para o Flamengo, que ressurgiu com o sérvio Petkovic. O gringo recuperou o futebol perdido há quatro anos, fez gols olímpicos e de placa e ser tornou o líder da equipe. Na frente, o artilheiro Adriano também fez a diferença. Motivado, ele crescia para cima dos zagueiros e atormentava seus marcadores.
A defesa rubro-negra também merece destaque. Com a chegada do chileno Maldonado, o sistema ganhou força e, enfim, foi dada proteção ao avanço dos laterais Léo Moura e Juan. Álvaro e David ou Ronaldo Angelim e Williams, o maior ladrão de bolas do campeonato, completaram o setor e ajudaram o goleiro Bruno a ser um paredão, que teve como grande feito da temporada a defesa de dois pênaltis numa partida decisiva contra o Santos.
Completando a equipe, vale lembrar a garra de Airton e a volta por cima de Zé Roberto, que pegou no tranco depois de quase ser moeda de troca e voltou a jogar seu bom futebol. Para completar essa história de vencedores, é fundamental ressaltar o trabalho do técnico Andrade. Ele deixou de ser interino durante a competição, uniu o grupo, acertou a equipe taticamente e conquistou um título sonhado pelo rubro-negro há quase 20 anos.
Todos eles merecem as bandeiras feitas pela torcida. Afinal, a conquista de duas taças - a carioca e a brasileira - numa temporada pode elevar qualquer jogador comum ao posto de herói. Tão cedo eles vão ser esquecidos nas ruas e ladeiras do Rio.

Rio em alta 1 O futebol carioca vai sair deste ano fortalecido. O Flamengo foi o campeão com todos os méritos, o Vasco voltou à elite, em campo, e com a taça da Série B nas mãos e a dupla Flu/Bota escapou de mãos dadas de um rebaixamento iminente. Na próxima temporada, o glorioso quarteto carioca está confirmado na elite e com perspectivas de fazer boas campanhas.

Rio em alta 2 - Para completar o ano de ouro do Rio, vale lembrar que a decisão da Copa do Mundo de 2014 será no Maracanã e as Olimpíadas de 2016 já estão confirmadas na Cidade Maravilhosa. Se lembrarmos do enorme potencial dos grandes clubes de lá e da excelente estrutura que a cidade vai ganhar, vamos chegar à conclusão de que a hegemonia perdida para São Paulo ainda pode ser recuperada.

Imortal Tricolor 1 - Um capítulo à parte neste Brasileirão foi o Fluminense. O Tricolor estava condenado a ser rebaixado. Os adversários encomendaram ao padre das Laranjeiras até uma visita ao clube para lhe dar a extrema unção. Nunca nenhum clube que chegou a metade do Segundo Turno na lanterna conseguiu escapar. Mas o Flu nasceu para quebrar paradigmas e desafiar os números.

Imortal Tricolor 2 - O técnico Cuca aceitou o desafio de buscar uma pouco provável série invicta para livrar o Flu do rebaixamento. Ele resolveu dar uma sacudida no elenco, tirou as ervas daninhas, apostou na garotada de Xerém e deu moral aos craques Conca e Fred. Com essa receita, o Flu disparou nas últimas dez rodadas do Brasileirão.

Imortal Tricolor 3 - Foram sete vitórias e três empates, derrotando até sérios postulantes ao título, como Cruzeiro, Atlético-MG e Palmeiras. A torcida adotou o time de guerreiros, apoiou o grupo até nos momentos mais difíceis e viu o milagre acontecer na última rodada. Contra o Coritiba, o Flu enfrentou um time e torcedores pintados para a guerra. A pressão fora de campo foi absurda, mas o Tricolor arrancou um empate heróico e garantiu sua permanência, derrubando o Coxa no ano do seu centenário. O Fluminense desta reta final jamais será esquecido por sua massa apaixonada. Foram-se os jogos, ficou a lenda.

Vesti uma camisa alvinegra... - Outro samba de exaltação ao futebol do Rio pode ser tocado para o Botafogo, que, em casa, superou as deficiências técnicas de seu elenco e, empurrado pela massa alvinegra, se manteve na elite ao vencer dois jogos que considero fundamentais: contra o São Paulo e o Palmeiras. Se não dava na técnica, a raça tinha que prevalecer. Assim, o Alvinegro segue na Primeira Divisão e povoa seu estádio de esperança. Todo o sofrimento dos últimos jogos valeu a pena.

Subindo - O Flamengo, que voltou a ser o número 1 do País. A vitória de domingo sobre o Grêmio foi apenas a ponta do iceberg. A conquista foi alcançada em longas 38 batalhas, e, principalmente, nos jogos contra seus adversários diretos na luta pelo título.

Descendo - O Coritiba, que se perdeu na reta final do Brasileiro, colecionou insucessos nas últimas rodadas e foi ultrapassado pelo Fluminense. Após o jogo de domingo, parte de sua torcida protagonizou cenas de barbárie no Couto Pereira e sujou de sangue o futebol nacional.

Cruzeiro - A arrancada do Cruzeiro no Segundo Turno também merece ser exaltada. A Raposa conquistou o título simbólico do Returno e, de quebra, assegurou uma vaga na fase preliminar da Libertadores.

Palmeiras -
O Palmeiras foi um dos grandes derrotados do ano. O time chegou a liderar o Brasileirão por 17 rodadas, mas não teve forças para vencer os últimos desafios do ano e, como punição pela apatia de grande parte de seu time, não conquistou nem mesmo uma vaga na Libertadores.

Crédito da foto: Mauricio Val/VIPCOMM

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