quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Crise no futebol nordestino

O futebol nordestino precisa unir suas grandes marcas. A diminuição do número de participantes nas divisões de elite do Campeonato Nacional – de 24 para 20 - acabou sendo perversa com os clubes. Nos últimos anos, houve um óbvio enfraquecimento do esporte na região. Outra vítima do sistema foi o Norte, representado com mais força por Paysandu e Remo, que já infernizaram a vida dos grandes e hoje não estão nem mesmo na Série B.
A primeira questão que rebaixa os nordestinos no Brasileiro é a dificuldade para competir com os clubes dos centros mais fortes economicamente do País. Se analisarmos as tabelas das séries A e B vamos perceber que houve uma “paulistização” dos campeonatos. A explicação para isso é a pujança econômica de São Paulo. Em 2010, vão ser sete clubes do estado na Segundona e seis na Primeira Divisão.
Mas há o inverso desse caminho. No ano passado, três clubes nordestinos – Fortaleza, Campinense e ABC- foram rebaixados para a Terceira Divisão e dois – Náutico e Sport –caíram para a Série B. O contra-ataque da região não teve a mesma força, já que apenas Icasa-CE e ASA chegaram à Série C, e somente o Ceará conseguiu ficar entre os quatro clubes da Série B que conquistaram vaga na elite.
Atualmente, apenas os cearenses e os baianos do Vitória disputam a Primeira Divisão e, infelizmente, existe uma tendência de que os números sejam ainda mais desfavoráveis nos próximos anos.
Os clubes do Nordeste precisam encontrar uma forma de unir suas forças para aumentar as receitas e tornar suas equipes mais competitivas. Após o fim do Campeonato Regional, destruído pela caneta da CBF, os times se espalharam e hoje não têm um líder capaz de aglutiná-los e defender seus interesses.
Vejo os estaduais cada vez menos atraentes e as receitas dos times nordestinos caírem a cada temporada. O ASA, por exemplo, inicia o Campeonato Alagoano com uma folha salarial de R$ 150 mil - a maior, disparada, do Estado. Mas, para ser ao menos competitivo na Série B, o Alvinegro precisa encontrar uma fórmula mágica em três meses para dobrar esses valores.
Por isso, aviso aos navegantes que, se não houver um levante, as marcas da região vão apenas fazer parte das páginas envelhecidas da história. Pouquíssimos vão conseguir sobreviver à lei da selva que já entrou em vigor no futebol nacional.

Santa Cruz
- O Santa Cruz é o exemplo da derrocada dos clubes nordestinos. Em 2005, o Tricolor conquistou a classificação para a Primeira Divisão do Brasileiro, mas, prejudicado também por péssimas administrações, despencou no futebol nacional. Hoje, um dos clubes de maior torcida do País só tem certa a participação no Campeonato Pernambucano. Nem a Série D está garantida.

CSA
- O CSA foi a vítima em Alagoas da onda que começou a destruir grandes clubes do Norte-Nordeste nesta década. O Azulão não se modernizou e foi engolido pelo sistema. Hoje, o maior campeão da história do Estado agoniza na Segunda Divisão e deve estar em campo por apenas três meses em toda a temporada.

Torcidas - As torcidas também estão mais enfraquecidas. Encurralados pelo calendário imposto pela Confederação Brasileira de Futebol, alguns clubes importantes jogam pouco durante a temporada. Assim, o produto fica longe da prateleira em muitos Estados e os apaixonados pelo futebol se tornam cada vez mais volúveis, buscando novos amores no eixo Rio-São Paulo.

Celeiro de craques - O técnico do ASA, Vica, me disse numa entrevista recente que o potencial do Nordeste é pouco explorado pela falta de estrutura dos times. “O número de jogadores revelados na região se os clubes tivessem mais poder de investimento seria bem alto. Há craques em grande quantidade por aqui, só que a maioria não é descoberta por falta de um trabalho adequado de revelação de atletas”, comentou.

Lei Pelé - Presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians-AL, João Feijó atribuiu à Lei Pelé o enfraquecimento dos clubes no Nordeste. Segundo ele, depois de perder o passe dos atletas, os times ficaram indefesos no mercado, sem o mínimo poder de investimento.
Subindo - No ano passado, o clube do Nordeste que mais comemorou foi o Ceará. O Vozão conseguiu nadar contra a maré e chegou à elite do futebol brasileiro depois de muitos anos de Série B.

Descendo O Sport, que sofreu um grande revés em 2009. O Leão chegou a se destacar na Libertadores, mas se perdeu no Campeonato Brasileiro e foi rebaixado em último lugar. Nesta temporada, o clube aposta no técnico Givanildo Oliveira para se reerguer.

Timemania - Boa alternativa para os clubes pagarem suas dívidas com a União, a Timemania foi mais rentável no Nordeste para o Bahia. Mas, mesmo com sua enorme torcida, o Tricolor ficou na 13ª colocação em 2009, com 1.183.229 apostas.

Sócios - Importante fonte de capitação de recursos, as campanhas de sócio se espalharam pelo País nesta década. Com 10 mil e 300 associados até 2009, o Ceará é o clube do Nordeste mais bem colocado no ranking nacional, ocupando o décimo lugar.

Um comentário:

Alexandre Herculano disse...

Parabéns pelos comentários. A CBF é realmente a grande culpada pela crise no futebol nordestino. Foi uma covardia acabar com o Campeonato Regional em 2003.