quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Análise da convocação de Dunga

O técnico Dunga tem uma palavra preferida no dicionário da língua portuguesa. Vira e mexe, ele a utiliza para justificar suas convicções e convocações. Parece até que o técnico a pronuncia como um mantra ensinado por um velho hindu. Com ela, o treinador pretende abrir as portas da sorte e colocar a seleção brasileira no corredor do título mundial.
Coerência é a tal palavra tão acalentada por Dunga. Quando assumiu a seleção em 2006, questionado pela crítica e sob olhares desconfiados da torcida, ele começou a usá-la para dar continuidade ao seu trabalho e sobreviver às tempestades inerentes ao cargo.
Com coerência e títulos, o treinador recolocou a seleção entre as melhores do mundo. O time, que saiu da Alemanha despedaçado, conquistou as Copas América e das Confederações e o primeiro lugar nas Eliminatórias. Dunga montou um grupo com jogadores disciplinados e motivados e, assim, vai entrar no Mundial.
Todo esse discurso tem apenas um objetivo, caro leitor. Quero dizer que essas palavras deságuam numa conclusão simples: o grupo está praticamente fechado. A principal dúvida do técnico continua sendo a lateral-esquerda. E, mesmo assim, Gilberto, convocado na última terça-feira, ao lado de Michel Bastos, tem grandes possibilidades de marcar presença na Copa. Quando resolver esse problema, o treinador vai considerar o seu trabalho de garimpagem concluído.
Outras convocações fora da lista habitual só vão ser feitas em casos extremos, como lesão dos selecionáveis. Assim, já não vejo como os Ronaldos, por exemplo, alimentarem muitas esperanças de irem ao Mundial.

Acertou em cheio - Uma convocação que deve ser comemorada pelo torcedor foi a do zagueiro Thiago Silva. Grande destaque do Milan, o jogador tem muito mais recursos do que Miranda, por exemplo, e tem todas as condições de até ganhar a condição de titular. Com o retorno de Juan, e a consolidação do trabalho de Lúcio e Luizão, Dunga praticamente fechou os nomes da zaga.

O que eu faria -Se eu fosse o técnico Dunga, levaria, sem dúvida, Ronaldinho Gaúcho. Ele é um jogador diferenciado, que se motivaria muito para a disputa do Mundial. Se ele não fosse bem, queimaria um nome, mas não pecaria por omissão. Não tenho dúvidas de que o armador do Milan seria muito mais útil na Copa do que o previsível Julio Baptista.

Pressa - A imprensa de São Paulo começou a levantar a bandeira da convocação de Neymar, do Santos. O jogador tem realmente muito potencial, mas sua hora vai chegar naturalmente. Provavelmente, na Copa de 2014. Apressar as coisas no momento seria até prejudicial. Além do mais, Dunga tem excelentes opções que não estão sendo nem lembradas em sua listas.

Subindo - O lateral-esquerdo Gilberto, que reencontrou seu bom futebol no Cruzeiro e, aos 33 anos, voltou à seleção brasileira. Se apresentar um bom trabalho no amistoso do dia 2, contra a Irlanda, em Londres, tem tudo para carimbar seu passaporte para a África.

Descendo - O atacante Alexandre Pato, que frequentou a lista de Dunga por muito tempo, mas perdeu força nessa reta final de preparação para a Copa. Dificilmente ele vai conseguir convencer o treinador de que está pronto para ir ao Mundial deste ano.

Ronaldo - O atacante do Corinthians chegou a ficar bem perto da convocação, mas a falta de sequência nos últimos meses deve mesmo tirá-lo da Copa. O Fenômeno só volta a vestir a camisa da seleção se fizer chover na Libertadores.

Robinho ou Nilmar - Robinho deve mesmo disputar a Copa. Seu retorno ao futebol brasileiro e sua motivação parece que afastaram o risco de corte. Convocado na última terça-feira, ele agora precisa mostrar que pode ser titular com a camisa canarinho. Por enquanto, seu maior adversário dentro do grupo é Nilmar, o atacante que apresentou o futebol mais vistoso nos últimos amistosos da seleção.

Ninho de convocados - A Inter de Milão e a Roma foram os maiores centros de convocados para a seleção brasileira. Três jogadores do grupo jogam na líder do Campeonato Italiano: o goleiro Júlio César, o lateral Maicon e o zagueiro Lúcio. Outros três jogam no time romano: o goleiro Doni, o zagueiro Juan e o meio-campista Julio Baptista.

Curiosidade - Em 2006, três jogadores fizeram parte da lista de Parreira em março e não foram ao Mundial. Foram eles os laterais Maicon e Gustavo Nery, e o volante Edmilson. Entraram na lista de última hora Cafu, que estava machucado, Gilberto e Mineiro.

Brazucas - Atuando no futebol brasileiro, quatro jogadores compõem o grupo de Dunga. O Flamengo mandou dois atletas, Adriano e Kléberson, o Santos emplacou Robinho, e o Cruzeiro colocou Gilberto na seleção.

Fabuloso - Um dos grandes destaques da seleção montada por Dunga, Luís Fabiano já disputou 33 jogos pelo escrete e marcou 25 gols.

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