quinta-feira, 4 de março de 2010

Os pontos fracos de Dunga

O técnico Dunga faz um bom trabalho na seleção. Conseguiu recuperar um grupo destruído pelo fracasso na Copa do Mundo de 2006 com títulos e grandes exibições, principalmente contra os principais adversários do Brasil. Há um esquema tático definido, com duas linhas de quatro e o contra-ataque mais fulminante do oeste, e do leste também. Além disso, depois de muito tempo, o sistema defensivo voltou a ser seguro, salvo algumas restrições à marcação pelo lado esquerdo.
Por outro lado, é importante destacar que os comentários da imprensa sobre nomes que fazem ou não parte da lista de convocados são comuns nesse período de Mundial. Servem para apimentar o noticiário e provocar debates saudáveis nas rodas de amigos espalhadas pelo País.
Reuni todas essas palavras para, primeiro, dizer que admiro o técnico da seleção. Mesmo inexperiente, ele fez um trabalho que poucos técnicos já bem rodados seriam capazes. Mas, chegando ao ponto nevrálgico, quero abordar um tema que pode atrapalhar o caminho de Dunga e até da seleção na Copa: a autossuficiência. O treinador está padecendo desse mal. Suas entrevistas são recheadas de frases sarcásticas, que invariavelmente são atiradas como flechas envenenadas na direção da imprensa. A mágoa parece ter sido guardada desde 1990 e agora ganhou contornos preocupantes. O treinador vai para o embate em quase todas as perguntas. Basta alguém falar sobre os Ronaldos, que ele muda o tom da prosa e busca, salivando, a canela do jornalista.
Curiosamente, este péssimo relacionamento, principalmente com as mídias paulista e carioca, se potencializam em matérias pesadas contra o treinador na chamada grande imprensa e passa ao torcedor a falsa ideia de que a seleção está em queda. E não está. A motivação dos jogadores no amistoso contra a Irlanda, terça-feira, provou o contrário. Há um comprometimento do grupo, e poucas vezes o Brasil foi a um Mundial tão bem preparado técnica e psicologicamente como agora. Por isso, faço questão de realçar esse ponto fraco do treinador. A soberba é, sem dúvida, a principal inimiga dos vencedores. Que o diga Napoleão.

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