domingo, 30 de maio de 2010

Discursos opostos na Copa

Maradona e Dunga têm apenas em comum a carreira vitoriosa em campo e o fato de comandarem duas das seleções mais tradicionais do mundo. Nas outras áreas, eles têm atitudes e pensamentos opostos. Na semana passada, o liberal técnico da Argentina disse que seus atletas podem ter vinho, churrasco e até sexo na concentração. Dom Diego conserva seu estilo de boleiro também como treinador e, talvez por isso, ainda não tenha conseguindo fazer um elenco de extrema qualidade apresentar um bom futebol.
Dunga mantém a seriedade até para brincar com os filhos. No futebol, ele alcançou o sucesso com muito mais transpiração do que o gênio Maradona, e levou as lições que aprendeu nos gramados para o banco de reservas. Sobre a tal liberdade, o técnico brasileiro diz que os jogadores a terão apenas na folga e que o respeito aos companheiros é fundamental nesse período de Copa. Ele condena os excessos e exige disciplina e entrega de seus comandados. Ao contrário da festa enaltecida por Maradona, Dunga fala em trabalho. Descanso é uma palavra pouco usada pelo técnico da seleção, que pretende acrescentar à foto de sua “família” uma taça com seis estrelas.

Privacidade - A seleção brasileira está fechada a África. Dunga odeia badalação e falou abertamente na última coletiva que concedeu que não gostou de ver câmeras apontadas para os quartos dos atletas. Ele, inclusive, lembrou aos jornalistas que a seleção de 2006 foi muito criticada pelo exibicionismo na fase de preparação para o Mundial. Agora, a concentração vai ser mais importante do que o marketing.

Assédio aos jogadores -Um assunto que costuma atrapalhar a seleção brasileira nas Copas é a transferência de jogadores. Com o mercado agitado, alguns atletas são muito assediados e isso prejudica a concentração. Recém-contratado pelo Real Madrid, o técnico José Mourinho já tem o primeiro alvo: o lateral-direito Maicon, a válvula de escape da Inter de Milão.

Fogo amigo - Os torcedores do Real Madrid não gostam de Kaká. Eles dizem que o brasileiro tirou o pé na Liga dos Campeões e no Campeonato Espanhol para se poupar para a Copa do Mundo. Recentemente, os torcedores do Cruzeiro fizeram a mesma crítica em relação a Gilberto, que, após a convocação, foi muito mal no jogo contra o São Paulo, no Mineirão, pela Libertadores.

A força da grana - O técnico Dunga queria que a CBF marcasse amistosos antes do Mundial contra seleções mais fortes, mas prevaleceu o dinheiro e a entidade decidiu agendar jogos rentáveis. Contra Zimbábue, no dia 2, e Tanzânia, dia 7, a Confederação vai embolsar cerca de R$ 11, 2 milhões.

Adriano - Esquecido por Dunga, Adriano resolveu trocar o Flamengo pela Roma. Segundo o Imperador, a dívida com a Itália após sua saída conturbada da Inter de Milão pesou na decisão. Engraçado, pensei que ele mudou de camisa por causa da grana.

Comparação - Messi disse na semana passada que odeia ser comparado com Maradona. O treinador da Argentina não foge do assunto e lembrou que o camisa 10 do Barça chegou à Copa com um currículo melhor que o dele em 1986.

Nenhum comentário: