sexta-feira, 28 de maio de 2010

Editorial - Dunga impôs seu estilo

Sem fazer alarde, a seleção brasileira já está na África. O time de 2010 está longe da badalação de 2006. Talvez porque o escrete tenha perdido um pouco do encanto após a pífia participação no último Mundial; talvez porque os “operários” convocados por Dunga não sejam os preferidos do público.
Apesar dessa distância, a seleção entra na Copa como uma das favoritas. O sistema defensivo sólido, os contra-ataques em velocidade e a força do jogo aéreo são os pontos fortes da equipe. Dunga e Jorginho tiveram o mérito de montar uma base, dar consistência tática ao time e conquistar resultados expressivos nos quatro anos que antecederam este Mundial. Por isso, o Brasil, mesmo ainda longe da massa, chegou à África como o primeiro colocado no ranking da Fifa.
O desafio da seleção vai ser recuperar o bom futebol apresentado no ano passado, quando conquistou a Copa das Confederações e o primeiro lugar nas Eliminatórias. Nesta temporada, jogadores fundamentais para o esquema tático do treinador tiveram uma série de lesões e ainda não estão bem condicionados. O problema maior é que o centroavante Luís Fabiano e o meia Kaká não têm substitutos à altura. Eles concentram boa parte do poder de fogo do time, já que o outro titular, Robinho, foi até coadjuvante no Santos durante a campanha do título paulista.
A falta de um reserva para Kaká atormenta Dunga e também foi o tema mais debatido pela imprensa no período da convocação. A dificuldade é tão grande que, se o jogador do Real não puder atuar por algum motivo, existe até a possibilidade de o treinador improvisar o lateral-direito Daniel Alves no setor.

Lateral-esquerda - O improviso na lateral-esquerda também é um dos pontos fracos da equipe. Michel Bastos, que deve ser o dono da camisa 6, está atuando como meio-campista no Lyon. Para complicar, Gilberto, seu reserva imediato, também joga como armador no Cruzeiro. Por esse setor, o time encontra as maiores dificuldades de marcação e, infelizmente, os adversários já sabem disso.
Entre erros e acertos, Dunga foi coerente nesses quase quatro anos em que esteve à frente da seleção. Puniu severamente quem não se enquadrou em sua cartilha, casos de Adriano e Ronaldinho Gaúcho, e tentou montar uma equipe disciplinada e marcadora, traços marcantes de seu estilo como jogador.

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