terça-feira, 22 de junho de 2010

Copa 2010 ainda tem pior média de gols da história

O número de gols aumentou, a qualidade dos jogos, em geral, melhorou, até goleadas expressivas chamaram a atenção. A performance das seleções na segunda rodada da Copa do Mundo da África do Sul, no entanto, ainda não foi suficiente para livrá-la da vexatória marca de pior média de gols na história do torneio. Até agora, as redes balançaram 67 vezes em 32 partidas - ou 2,09 gols por jogo.
Quando se analisa apenas os 16 jogos disputados na segunda rodada, o desempenho é um pouco melhor. Foram 42 gols marcados e média de 2,62 por partida. Os sete marcados nesta segunda-feira pela equipe de Portugal sobre a Coreia do Norte correspondem, portanto, a um sexto de todos os gols feitos nesse período.
Até o início deste Mundial, o recorde negativo era da edição disputada em 1990, na Itália. Naquele ano, o final da segunda rodada apontava 53 gols marcados em 24 partidas - o que representa 2,21 tentos por jogo. As seleções que participam desta Copa do Mundo precisavam ter balançado as redes mais quatro vezes para que a média de gols do torneio superasse a da edição italiana na segunda rodada. A Copa do Mundo com o melhor aproveitamento até hoje foi a disputada na Suíça, em 1954. As duas primeiras rodadas do torneio somaram 78 gols em 16 partidas - 4,87 em média.
A atual fórmula de disputa - com 32 seleções divididas em oito grupos - começou a ser usada na Copa do Mundo da França, em 1998 Naquele ano, foram marcados 81 gols nas duas primeiras rodadas. O mesmo número se repetiu na edição de 2002, no Mundial do Japão e da Coreia do Sul. As médias foram de 2,53 gols por partida. Em 2006, na Alemanha, foram 75 gols em 32 jogos - 2,34 por partida
O desempenho de três seleções foi fundamental para que a média de gols da Copa Mundo da África do Sul continuasse baixa: Argélia, Honduras e a campeã do torneio de 1998 e atual vice-campeã mundial, França. Nos dois jogos que essas seleções já disputaram, seus atacantes não tiveram competência para marcar nenhum gol sequer.
Nesta terça-feira, os franceses entram em campo com a obrigação de acertar - e muitas vezes - a meta da seleção sul-africana. Os ‘les bleus’ e o time dirigido pelo treinador brasileiro Carlos Alberto Parreira fazem um jogos dos desesperados, em que precisam vencer por muitos gols, para tentar passar para a próxima fase.
Os anfitriões também apresentam desempenho pífio no ataque. Marcaram apenas um gol até agora - na estreia contra o México. A África do Sul conta com a companhia de outras oito seleções nessa lista: Austrália, Camarões, Coreia do Norte, Costa do Marfim, Inglaterra, Japão, Nigéria e Servia.
Com a goleada de 7 x 0 em cima da Coreia do Norte, nesta segunda-feira, Portugal se tornou a seleção com o maior número de gols desta Copa do Mundo. O time liderado por Cristiano Ronaldo ainda não havia marcado no torneio, mas tirou o atraso com autoridade. Brasil e Argentina, com cinco gols cada, vêm logo atrás.

Sul-americanos se destacam

 O principal exportador de atletas para o mercado do futebol mundial tem demonstrado na África do Sul, ao menos até agora, que o talento é mesmo sul-americano. As cinco seleções do subcontinente - Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai - estão invictas e lideram seus grupos neste Mundial.
O quinteto conseguiu somar oito vitórias em dez jogos, com 18 gols marcados e apenas quatro sofridos. O melhor saldo é da Argentina, com cinco - três deles do atacante Gonzalo Higuaín, artilheiro da competição. O Brasil, apesar da destacada defesa, foi vazado duas vezes (Uruguai e Chile não levaram gols) - o que importa pouco, afinal, o time de Dunga é o único da região já garantido nas oitavas de final.
O desempenho sul-americano é digno de dar inveja a poderosas seleções europeias, que têm penado nos campos sul-africanos. Basta ver a difícil situação da França, que pode passar de vice-campeã do mundo a eliminada na primeira fase, e os tropeços de Alemanha, Espanha, Inglaterra e Itália.
Para Diego Maradona, a oposição dos resultados entre sul-americanos e europeus é facilmente explicada pelos caminhos que levam ao Mundial. "Os jogos classificatórios (para a Copa na América do Sul) são muito mais competitivos que na Europa. O Equador, por exemplo, poderia estar aqui, sem dúvida alguma. Em compensação, lá eles jogam contra as Ilhas Faroe!", disse o argentino.
Oscar Tabaréz, do Uruguai, diz que a predominância sul-americana não deveria ser motivo de surpresa. "Todas as equipes são boas e mostraram isso nas Eliminatórias", disse o técnico, que, contudo, prefere não se empolgar com os números. Ao menos por enquanto. "Alguns europeus não estão conseguindo bons resultados, mas esta situação também não é inédita." Maradona bem lembrou: "Em 1982, a Itália empatou com Camarões e Peru. Todos queriam matá-los! E aí, todos sabem, ficaram com o título"

MENÇÃO HONROSA. A seleção mexicana, segunda colocada no Grupo A, também merece ser lembrada como parte deste sucesso, dizem Maradona e Gerardo Martino, técnico do Paraguai. Embora faça parte da Concacaf, o México participa regularmente de competições sul-americanas, como as copas América, Libertadores e Sul-Americana. "É a seleção que mais me impressionou", garantiu Martino. "Tenho gostado muito do México porque é um time sólido na defesa e que ataca permanentemente", justificou 'El Diez'.

Um comentário:

Anônimo disse...

Copa das Américas ou Copa do Mundo... ah ah ah,nós somos mesmos bons