terça-feira, 22 de junho de 2010

Editorial - Luís Fabiano fez a diferença

Domamos a Jabulani. Domingo, contra a Costa do Marfim, nossas principais peças começaram a funcionar. Kaká foi expulso, mas evoluiu muito em relação à estréia. Esteve bem mais perto do jogador que ajudou a colocar o Brasil no topo do Ranking da FIFA. A seleção, mais solta no gramado e livre da ansiedade do primeiro jogo, foi mais aguda, mais eficiente.
O grande destaque foi nosso homem de frente. Como já escrevi outras vezes nesse espaço, a seleção conta com dois jogadores imprescindíveis, que, coincidentemente, entraram no ano da Copa longe da condição ideal. O primeiro é Kaká, que já foi enaltecido no primeiro parágrafo, e o segundo é Luís Fabiano. O centroavante do Sevilla sempre foi o "air-bag" de Dunga. Quando a seleção corria o risco de entrar em crise, ele aparecia das sombras e marcava gols improváveis.
Os poderes do atacante deixaram de ser detectados em campo a partir da vitória do Brasil sobre a Argentina, em setembro do ano passado, por 3 x 1. Foram seis jogos sem marcar, mas, após a apresentação pouco inspirada do time diante dos norte-coreanos, o artilheiro marcou presença. Com dois golaços - um irregular, diga-se de passagem -, Luís Fabiano deu um bico na ansiedade dele, do treinador e de milhões de brasileiros.
A seleção se livrou, com sobras, de um adversário que poderia complicar a vida de qualquer um nesta Copa. Costa do Marfim não jogou bem, mas foi o Brasil que soube anular suas peças e encaixar seu estilo. Vencemos a batalha fundamental no meio-campo, puxamos contra-ataques letais, variamos o jogo, atacamos pelas pontas e pelo meio e colocamos respeito no nosso lado do campo.
Foi uma atuação convincente. Dunga já tem um parâmetro nesse ano para exigir um padrão de qualidade dos jogadores. Com o time classificado às oitavas, a partida contra Portugal servirá para definir o primeiro colocado e para Dunga soltar a equipe. Mais acostumados com a pressão e as condições da Copa na África, os atletas devem evoluir tanto na parte coletiva quanto na individual.

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