quinta-feira, 24 de junho de 2010

O peso do fracasso francês

A culpa pesou sobre a cabeça francesa. A irregularidade que ajudou a colocar a seleção de Domenech na Copa ecoou por meses a fio e não foi esquecida no decorrer da competição. Para aguçar a memória da torcida, vou lembrar o lance capital. Na prorrogação, Henry ajeitou a bola com a mão e tocou para Gallas marcar o gol da classificação em cima da Irlanda. O erro de arbitragem não leva em si o peso do vexame no Mundial, mas o que ele mascarou abre o tema do debate.
A seleção francesa não tinha comando. Raymond Domenech entrou em choque com a imprensa, o que é até normal em se tratando de grandes seleções, e os jogadores, grave problema para quem pretende fazer sucesso numa competição importante. A questão era tão grave que o auxiliar-técnico passava instruções a Henry momentos antes de o jogador do Barcelona deixar o banco para tentar resolver a parada.
Taticamente, Domenech cometeu também o erro de manter o estilo de jogo da seleção que chegou à decisão do Mundial de 2006. Ele só esqueceu de pedir a Ribery para incorporar Zidane. Não houve compatibilidade. A ausência do craque desequilibrou o time. Faltou o seu comando, a sua cadência e suas jogadas verticais. Além disso, a seleção envelheceu com Zizou. A geração campeã em 1998 se transformou numa página virada e até a safra seguinte perdeu a validade. Alguns talentos, como Gourkug, foram vítimas do caos e o time deixou a Copa sem vitórias. Foram três partidas, duas derrotas, um empate e muitas explicações a dar aos torcedores.
Além do vexame em campo, a França também protagonizou cenas inadmissíveis para uma grande seleção. Anelka detonou o treinador, a notícia vazou nos jornais e o grupo rachou. Os defensores de Domenech queriam a cabeça do delator, que passou todas as informações sobre o incidente para a imprensa. Os seus inimigos aproveitaram para incendiar mais o grupo e humilhar o comandante.
O ato mais hostil foi o boicote dos jogadores ao treino do último domingo. Insubordinados, os atletas anteciparam a eliminação já nesse trabalho e apenas ratificaram a posição na partida de terça-feira, contra a África do Sul. Os ideais esportivos foram feridos gravemente por essa seleção francesa, que fará do seu fracasso um exemplo para os demais campeões. Fica o legado da incompetência.

Um comentário:

Anônimo disse...

France... Adieu!!!!!!!!! Já vai tarde.