quarta-feira, 30 de junho de 2010

Tática: espremendo a Laranja

Os brasileiros agora têm uma preocupação especial: a Holanda. Nossa adversária nas quartas de final entrou na Copa com moral. Nas Eliminatórias, fez oito partidas e venceu as oito. No Mundial, conquistou quatro triunfos em quatros jogos.
O time holandês conta com a força de seu conjunto para impor respeito. Essa geração não é tão talentosa como a de 98, por exemplo, que tinha Frank de Boer, Bergkamp e Kluivert, mas tem uma equipe equilibrada.
A Holanda perdeu a oportunidade de conquistar um Mundial por causa de problemas até raciais. Em 98, os negros e os brancos do grupo caminhavam em lados opostos. Agora, o técnico o técnico Bert van Marwijik preferiu deixar alguns medalhões longe da Copa e apostou em jogadores jovens e comprometidos.
Taticamente, a Holanda atua no 4-3-3, o esquema favorito do país. O centroavante Van Persie joga centralizado entre os zagueiros e chama a atenção da marcação enquanto Kuyt, pela esquerda, e Robben, pela direita, acham brechas no campo inimigo. Ofensivamente, esses dois jogadores são até mais agudos que o camisa 9.
No meio-campo, Sneijder, da Inter de Milão, é o jogador mais eficiente. A bola costuma carimbar no seu pé antes de chegar ao setor ofensivo. O armador também costuma subir ao ataque para executar arremates, como foi comprovado no segundo gol da Holanda contra a Eslováquia.
Completando a meia-cancha, Van Bommel é um dos homens de marcação, que tem como primeira missão comandar o sistema defensivo, mas também costuma sair para o jogo com desenvoltura. Uma de suas boas características é o chute de longa distância. Completando o setor, De Jong é o Gilberto Silva deles. O camisa 8 guarda posição e tem a tarefa de destruir as jogadas. Os laterais são muito obedientes taticamente. Van der Wiel, pela direita, e Van Bronckhost, na esquerda, se revezam no apoio. Eles nunca sobem ao mesmo tempo e a variação é feita até de jogo para jogo. Contra a Dinamarca, Wiel marcou presença no ataque. Bronckhost subiu um pouco mais diante da Eslováquia.
A zaga não é tão confiável. Heitinga e Mathijsen já cometeram erros primários nesse Mundial e muitas vezes deixaram o seguro goleiro Stekelenburg, do Ajax, em apuros.
Para tentar suprir essa deficiência da defesa, o treinador exige que Kuyt e Robben voltem para ocupar espaços no meio-campo quando o time perde a bola. Assim, a Laranja sai do 4-3-3 para um 4-5-1 bem compacto. Com esse sistema, os holandeses, apesar dos problemas na zaga, sofreram apenas dois gols nesta Copa.

Jogo concentrado - Uma das jogadas mais fortes da Holanda é em cima de Robben, que gosta de atuar como um falso ponta direita na seleção e também Bayenr de Munique. Sexta-feira, ele vai bater com Michel Bastos. Dunga também deve pedir atenção de um volante com a cobertura. O lado menos eficiente do sistema de marcação brasileiro vai ser devidamente testado. Bastos até já falou em entrevistas que haverá um trabalho especial com o atacante, assim como aconteceu quando Lúcio marcou Cristiano Ronaldo.

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