sábado, 10 de julho de 2010

Análise - A decisão da Copa em números

A grande decisão da Copa, marcada para amanhã, às 15h30, pode ser analisada pelos números deixados por Holanda e Espanha ao longo da competição. As estatísticas explicam muito sobre a forma de as duas seleções atuarem. Os holandeses jogam um futebol menos vistoso, mas têm no confronto a vantagem dos gols e dos arremates. Eles marcaram 12 vezes no Mundial, executando 80 chutes, sendo 41 na direção da trave. O percentual de gols por tentativas é de 15%, números altos se compararmos aos da Espanha.
A Fúria tem como principal característica o passe. Nesta Copa, seus jogadores tocam a bola pacientemente durante boa parte do jogo e, sem afobação, buscam vitórias simples, sem a imponência das goleadas. Por isso, pode ser a seleção campeã menos eficiente nos arremates da história. Em 106 conclusões durante o torneio, apenas sete balançaram as redes. Os atletas espanhóis têm um aproveitamento de apenas 7%, estatística que preocupa até Manolo do Bumbo, torcedor mais apaixonado da Espanha.
Em comum aos finalistas podem ser destacadas a eficiência, em relação aos resultados, e a habilidade. Certamente, a Espanha tem mais jogadores que sabem adestrar a Jabulani, mas os holandeses são mais agudos. Na Fúria, David Villa é o jogador mais indicado para decidir uma partida. Na Laranja, esse número sobe para dois: Sneijder e Robben.
Por outro lado, a Espanha se orgulha do poder de sua defesa. Com os três setores atuando de forma compacta, o time sofreu apenas dois gols na competição. A Holanda, com uma dupla de zaga não muito confiável, já foi vazada cinco vezes.
Se a Laranja tem orgulho de seu poder de finalização, a Fúria chama a atenção pela capacidade de controlar o jogo através de um dos principais fundamentos: o passe. Ao longo do Mundial, de acordo com estatísticas da Fifa, a Espanha distribuiu 4026 passes, completando 3387 e tendo um aproveitamento de 81%. A Holanda passou a bola 3336 vezes, acertando 2434 e fechando as estatísticas com um percentual de acerto de 71%. Nesse fundamento, a Fúria conquistou a vitória mais importante de sua jornada. Quarta-feira, contra a Alemanha, o time dominou a partida com precisa troca de bolas e não deu espaço ao adversário. Os alemães caíram na armadilha espanhola e só chegaram com perigo durante toda a semifinal apenas uma vez. A Laranja não depende tanto do contra-ataque quanto a seleção germânica. Experiente, a equipe pode até esperar o adversário, mas o seu bote, até pela qualidade de seus chutadores, é mais venenoso. Amanhã, vai ser o duelo do toque mágico contra o arremate mortal. O fundamento mais importante vai decidir o oitavo país distinto a levantar a Copa do Mundo.

Bola parada- O técnico Luís Felipe Scolari costumava dizer em seus tempos de Grêmio que um time pouco faltoso não vai muito longe em competições no formato de copa. Ele demonstrava até com estatísticas que os maiores vencedores cometem mais infrações. A Espanha contraria essa definição. Em seis jogos, o time de Vicente Del Bosque cometeu 62 faltas e levou apenas três cartões amarelos. A Holanda bate bem mais: foram 98 faltas e 15 cartões.

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