segunda-feira, 5 de julho de 2010

Editorial - A Copa não perdoa

A seleção brasileira foi eliminada da Copa. Não adianta agora descascar os jogadores, o treinador e o planejamento. Os resultados do time e até a forma de atuar levaram o Brasil ao Mundial como favorito. Mas, num clássico, alguns erros são imperdoáveis. Na Copa, eles definem os rumos do torneio.
Contra a Holanda, a seleção foi quase perfeita na primeira etapa. Fechou os espaços de Robben, com o primeiro combate de Michel Bastos e a cobertura de Gilberto Silva, e também conseguiu manter Sneijder longe do gol. Eles não criaram uma única chance real nos primeiros 45 minutos.
O Brasil, ao contrário, tinha boas opções pelas pontas, variava o jogo pelo meio e poderia até ter goleado. Abriu o placar, após belo passe de Felipe Melo para Robinho, e deu a impressão de que poderia ganhar até com certa facilidade. As oportunidades apareciam aos pares, mas eram desperdiçadas. Mesmo assim, nenhum torcedor esperava o apagão da etapa final.
A Holanda estava no mesmo ritmo cadenciado até marcar um gol improvável. Michel Bastos fez falta em Robben, e a seleção achou que ele poderia ser expulso. Não foi, mas o lance tirou a atenção de alguns jogadores. A Laranja bateu a falta com rapidez e Sneijder fez um cruzamento despretensioso. Considerado o melhor goleiro do mundo, Julio Cesar saiu mal e trombou com Felipe Melo, que raspou a cabeça na bola e marcou contra. Esse lance desestabilizou o time brasileiro.
O impacto pelo erro de Julio, um dos responsáveis pelo sistema de segurança da equipe, não foi assimilado por ninguém da seleção. O Brasil perdeu a confiança e, alguns minutos depois, sofreu o segundo gol. A partir daí, o time entrou de vez em parafuso, a começar por Felipe Melo, que pisou em Robben e foi expulso.
O clássico foi decidido neste momento. Em jogos equilibrados, a vitória ou a derrota é definida em pequenos detalhes. O fator psicológico fez a seleção desmoronar em campo. Do jeito que o time ficou após os gols, nem Pelé daria jeito se entrasse na vaga de Luís Fabiano.
Apático, o Brasil não conseguiu concatenar as jogadas e poderia até ter sofrido mais gols. Copa do Mundo é assim. O time precisa ter esquema, e o Brasil teve, precisa ter jogadores de qualidade, e a seleção tinha, mas também precisa ter inteligência emocional para superar as dificuldades. Esse era um problema que, em conjunto, ainda não tinha se apresentado tão claramente para a seleção nesses três anos e meio de trabalho de Dunga. Sexta-feira, ele foi mais decisivo que o talento dos nossos jogadores.

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