quarta-feira, 7 de julho de 2010

Os discursos prontos da CBF

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, gosta de expor conceitos prontos antes de mudar a comissão técnica da seleção. Em 2006, após os problemas até de envolvimento dos jogadores com a camisa brasileira, ele decidiu escolher um treinador inexperiente, mas com o perfil de disciplinador. Teixeira queria apagar a má impressão deixada na Alemanha.
Seguindo a cartilha do cartola, Dunga fez profundas modificações no elenco, afastou alguns medalhões platinados, como os Ronaldos, por exemplo, e, como não venceu em 2010, o modelo escolhido por Teixeira há três anos e meio já não serve mais. Está ultrapassado.
Na última segunda, o dirigente deu uma longa entrevista ao programa Bem, Amigos!, do Sportv, e apresentou suas metas para 2014. Segundo ele, o treinador da seleção precisa abrir espaço para o novo, buscando jogadores de talento que possam fazer a diferença na Copa marcada para o Brasil. O cartola já antecipou que os resultados, a princípio, não devem aparecer, como aconteceu com Falcão em 1990, mas que esse trabalho de garimpagem vai ser fundamental para a seleção.
Na verdade, Teixeira se exime da culpa pela derrota na África e faz o jogo pedido por parte da imprensa. Há uma clara referência aos jovens talentos do Santos, que despontaram este ano e não foram lembrados por Dunga. Nosso volúvel dirigente parece querer adoçar a boca dos críticos e fazer média com a maioria dos torcedores.
A renovação é importante, mas me pergunto se essa nova geração vai ser capaz de suportar a pressão absurda que está por vir. Mesmo sem saber qual vai ser o nome escolhido, já posso garantir que o trabalho do próximo treinador vai ser muito contestado, e, se o Brasil não vencer em casa, até pela nossa cultura, a comissão técnica e os jogadores do grupo vão ser perseguidos pela história.
Teremos jovens talentosos com inteligência emocional suficiente para enfrentar esse terrível desafio? Provavelmente não. Até porque, com seleções mais jovens, colecionamos derrotas nas Olimpíadas.
Essas frases prontas são preocupantes. Não há uma receita já escrita para conquistar o Mundial. Times campeões, como o nosso em 2002, por exemplo, foram formados, muitas vezes, às vésperas da competição. É importante realizar um planejamento, tentar diminuir ao máximo os erros, mas isso, numa competição tão curta, também não é certeza de título. Muitas vezes, nos Mundiais, as seleções com bons esquemas e craques, como foi a nossa equipe de 82, pode dançar a valsa da despedida por causa de um dia menos inspirado. Faz parte do jogo.
Para 2014, o treinador precisa buscar os melhores jogadores do futebol brasileiro, independentemente de idade. Os bons times costumam ser formados por uma mistura de jovens no esplendor físico e atletas mais experientes, que saibam cadenciar as partidas mais difíceis e chamar a responsabilidade nos momentos mais complicados. Para juntar esse grupo é fundamental, para qualquer treinador, disciplina, envolvimento, tática e talento. Essas palavras são indispensáveis para que uma seleção esteja, pelo menos, no grupo dos grandes favoritos.

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