domingo, 8 de agosto de 2010

O maior desafio de Mano

A partir da próxima terça-feira, às 21h, o técnico Mano Menezes vai enfrentar uma das missões mais complicadas da história do esporte brasileiro: conquistar o título mundial jogando no País. Ele inicia seu trabalho na seleção no amistoso contra os EUA, em Nova Jersey.
O ex-treinador do Corinthians talvez ainda não tenha a dimensão do desafio. Se vivo fosse, apenas o goleiro Barbosa poderia situá-lo. Considerado o principal culpado pela derrota do Brasil para o Uruguai, no Maracanã, na final de 50, ele costumava dizer que os assassinos mais terríveis do País cumpriam, no máximo, 30 anos de prisão. Ele, por ter levado o gol de Giggia na decisão do Mundial realizado no Brasil, foi condenado pela eternidade.
Por enquanto, o treinador está sendo elogiado pela imprensa e por boa parte da torcida. O discurso é otimista e compatível com as expectativas iniciais da massa. Mas essa tranqüilidade não deve durar muito. Se quiser realmente implantar uma nova filosofia de trabalho e abrir a seleção ao novo, Mano vai passar por muitas provações. A primeira delas está marcada para o próximo ano, na Copa América da Argentina. O presidente da CBF teria dado carta-branca ao técnico para ousar na convocação. Segundo o cartola, na adianta o Brasil conquistar os torneios periféricos e ser batido antes das semifinais da Copa.
Mano não pode acreditar muito nas palavras do dirigente. Outros treinadores também tinham boas garantias, como foi o caso de Emerson Leão e Vanderlei Luxemburgo, e ficaram no meio do caminho após perderem essas competições. Dunga só foi mantido no cargo porque conquistou títulos e fez excelente campanha nas eliminatórias.
Por isso, o novo treinador da seleção vai precisar saber desafiar o tempo para já apresentar um bom relatório no final deste ano. Até porque a sombra de Felipão vai acompanhá-lo pelos próximos quatro anos.

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