terça-feira, 21 de setembro de 2010

Torcedor é tema de estudo

A paixão do torcedor pelo esporte virou tema de estudo em importantes faculdades do mundo. Um deles garante, inclusive, que a auto-estima de alguns aficionados pode aumentar ou diminuir por causa dos resultados de jogos. No Brasil, essa relação está intimamente ligada ao futebol.
Homens e mulheres desenvolvem uma relação muito próxima com os times talvez porque essa ligação os remeta à infância, quando a paixão começa a ser alimentada. Considero até o termo paixão inadequado. A palavra não sobreviveria a tantos anos de dedicação. Os torcedores, às vezes, diminuem a intensidade com que acompanham seu clube, mas não o abandona. É um amor que, apesar de muitas vezes não ser correspondido, consegue sobreviver ao tempo e às piores derrotas.
Um dos estudos aponta que a disputa esportiva é uma simbologia das guerras entre tribos primitivas. Nesse tempo, os guerreiros eram os representantes genéticos de cada povo e seus feitos eram passados de geração para a geração. Atualmente, esse papel pode ser exercido pelos atletas, que são capazes de desenvolver nos torcedores as mesmas emoções vividas pelos ancestrais nos períodos de batalha.
Outro estudo interessante, desenvolvido pelo professor de psicologia Robert Cialdini, da Universidade do Arizona, chegou à conclusão de que apesar de o momento de fracasso unir os torcedores em torno do sofrimento, são as vitórias que fazem o amor ganhar ressonância. Em sua pesquisa, realizada na década de 70, Robert observou que os torcedores usam muito mais as camisas de seus clubes após um triunfo. Eles são “ungidos pela glória” de sua equipe e, inclusive, se sentem parte integrante desse sucesso.
O humorista e apresentador Jô Soares conta uma passagem interessante que resume esse sentimento. Ele lembra que durante o jogo entre Brasil e País de Gales, na Copa de 1958, estava num bar lotado no Rio de Janeiro atento às palavras do locutor da rádio. A partida era equilibrada e, mesmo com toda a sua força ofensiva, a seleção não conseguia transpor o forte sistema de marcação do adversário. Eis que, aos 21 minutos da etapa final, Didi aciona Pelé dentro da área. O Rei mata a pelota no peito, tenta aplicar um lençol em Charles, gira o corpo e, antes da chegada de Williams, dá um toque sutil no fundo do gol de Kelsey. Um senhor, que passara todo o tempo solitário e cabisbaixo em sua mesa, se levanta e grita a plenos pulmões: “Comigo é assim!”. Naquele momento, ele era o próprio Pelé e seu feito colocaria a nação nas semifinais do Mundial.
Nas derrotas, o torcedor costuma, invariavelmente, buscar culpados pelo fracasso. Nesse momento, ele deixa de ser narrador personagem da história e passa a contá-la na terceira pessoa. O revés foi um erro de solados incapazes de envergar seu escudo. Assim, os dirigentes devem trocá-los após uma pequena série de fracassos.
Outro ponto interessante na psicologia do torcedor é que suas frustrações diminuem na medida em que ele compartilha o sofrimento da derrota com os demais aficionados pelo seu clube. Quanto maior for a divisão da dor, mais rápido ela será absorvida e, provavelmente, três ou quatro dias depois da partida, estará lá aquele mesmo torcedor empunhando a bandeira e defendendo as cores de sua aldeia. Essa relação, caro leitor, faz do esporte um bem muito valioso para quem o acompanha e hoje move as ações de marketing mais bem sucedidas da indústria do entretenimento. 

5 comentários:

Julio Franco disse...

Parabéns pelo excelente texto. Boa explicação para a paixão do torcedor.

Paulo Victor disse...

Muito interessante o texto, vou passar pra frente, mas as cores do blog e a em que o texto está escrito embaralharam a minha vista.

Parabéns...

Victor Mélo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Victor Mélo disse...

Obrigado pelos comentários, amigos.
Paulo, o blog está passando por algumas mudanças e fizemos alguns testes na semana passada. Espero que os textos agora tenham ficado mais visíveis.

Um abraço

Ygor Moreira disse...

Você está corretíssimo, todos esses sentimentos são verdadeiros, até porque, mesmo tendo distanciado do Fluminense, meu amor por ele não foi embora. Parabéns pelo post!