domingo, 12 de dezembro de 2010

As inovações no futebol

O novo e o antigo não costumam se misturar no futebol. Os estilos bem distintos entre as gerações só se encontraram na comemoração dos gols; na forma de ver o jogo e suas nuanças, eles tomam caminhos opostos. Os mais conservadores devem ter sofrido ao saberem do teor do jogo amistoso entre paulistas e cariocas na última quinta-feira, no Anacleto Campanella, em São Caetano-SP. Patrocinada pelos sindicatos dos atletas de Rio e São Paulo, a partida testou algumas inovações discutidas há muito no futebol, como o uso das imagens de TV para dirimir dúvidas da arbitragem antes de decisão do juiz. Acostumados com os revolucionários videogames de última geração, a garotada deve ter se divertido com a festa, transmitida ao vivo pelo Sportv. Era muita novidade para um jogo só. Outros modernismos testados foram o uso do cartão azul, meio termo entre o amarelo e o vermelho, e as substituições por atacado, com os treinadores colocando e sacando vários atletas durante a partida. Ao ver a nova cor do cartão na mão do árbitro, o jogador "premiado" ficava no banco por dez minutos e depois voltava. No Hokey, essa regra dá muito certo. No futebol, ficou estranha. Sobre as substituições, achei interessante. Novas estratégias, como as utilizadas no vôlei, basquete e futebol americano, poderiam ser utilizadas no principal esporte do mundo e daria superpoderes ao banco de reservas. A adoção dessa regra também aumentaria o número de empregos no futebol. Outro item testado foram os cinco árbitros, com o juiz e os assistentes em campo e mais dois atrás de cada gol. Para os sindicatos, trabalhando em equipe, as chances de erros diminuíram na partida e o jogo limpo seria privilegiado.
O relatório sobre o jogo de teste vai ser enviado à CBF e à Fifa, que, depois de anos de resistência, já aceita ser um pouco menos radical às mudanças. Concordo com os mais velhos quando dizem que o futebol tem muito valor pela simplicidade de suas regras, mas, em tempos de casos graves de corrupção esportiva, é importante incentivar mecanismos que dificultem a ação, por exemplo, de árbitros mal-intencionados. Num meio em que são gastas fortunas para a formação e manutenção das equipes, é preciso aumentar o nível da arbitragem. Com tantas câmeras espalhadas pelos estádios nos principais jogos, é inadmissível aceitar erros crassos como simples falhas humanas. Se é possível consertá-los sem ferir a essência do jogo, façamos, sem ressentimentos, uma ode ao novo.

Chip na bola - Considero de fundamental importância para o futebol a adoção do sistema de chip na bola. Assim, os árbitros seriam avisados todas as vezes que a bola entrasse no gol e seriam evitadas graves polêmicas no esporte. Essa mudança deve ser, inclusive, homologada em breve pela Fifa.

Não pegou - Uma novidade testada há alguns anos no Rio-São Paulo que não pegou foi a limitação do número de faltas, como acontece normalmente no basquete. O jogo de futebol ficou refém da regra, e as simulações em campo foram multiplicadas. Felizmente, essa invenção foi esquecida pelos cartolas.
Para quem não lembra, de acordo com essa regra, o time que cometia 15 faltas era punido com a cobrança de um tiro-livre da meia-lua.

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