quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O segredo do abismo no futebol

Real Madrid e Barcelona mandam no futebol espanhol
O futebol europeu está concentrando suas forças em poucos clubes. Na Espanha, por exemplo, onde até o La Coruña já andou fazendo estragos nos grandes, o abismo entre Barcelona e Real Madrid e os demais times está prejudicando agora o campeonato. Detentores de um impressionante poder aquisitivo, os dois gigantes contratam os atletas mais cobiçados, e, no caso do Barça, a concorrência é desleal até no trabalho de revelação de jogadores. Participantes assíduos da Liga dos Campeões, esses clubes fazem o dinheiro espanhol circular em torno deles, tomando conta do mercado de seu país. Na Itália, a situação é parecida, com a Inter tomando nessa década o lugar que já foi da Juventus. O Milan manteve a pujança e ampliou seus negócios, beneficiando-se, inclusive, da força política do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. Coincidentemente, ele é o dono do clube.
Na Inglaterra, Chelsea e Manchester United multiplicam seus euros baseados em atividades distintas. O primeiro pertence ao milionário russo Roman Abramovich, e o segundo se destaca por causa mesmo do peso de sua camisa, da boa administração e dos investimentos precisos em marketing esportivo.
Na Alemanha, o Bayern de Munique é até ameaçado por clubes de menor investimento, como o Wolfsburg, mas continua sendo o clube a ser batido financeira e esportivamente.
Essa casta europeia domina grande parte dos recursos gerados pelo futebol do Velho Continente. Invariavelmente, eles se destacam na Liga e, consequentemente, arrecadam cada vez mais recursos. O principal campeonato europeu divide entre seus integrantes recursos que estão além da imaginação dos demais clubes do Planeta. Com mais dinheiro em caixa, esses times podem se qualificar nas mais diversas esferas esportivas e aumentam a cada ano a diferença para as equipes médias.
Corinthians é o clube que mais arrecada no Brasil
Cantei todo esse rap para chegar ao futebol brasileiro. O País está atraindo mais investidores para seu principal campeonato na mesma proporção que as cotas de TV foram multiplicadas. Um pouco mais organizados, os grandes clubes estão investindo em campanhas sérias de sócio e em profissionais que possam ajudar a aumentar a receita através de bilheteria e venda de produtos. Com o advento da Copa do Mundo no Brasil, novas arenas estão sendo criadas ou reformadas, e isso deve ampliar a circulação de dinheiro nas principais marcas. Em breve, o abismo entre a casta nacional e os demais clubes vai ser tão grande quanto o da Europa.
Escrevo isso preocupado com a situação específica das marcas do Nordeste. Nenhum clube da região está inserido neste plano de crescimento nacional. Quando falamos em impressionantes arrecadações no Brasil, vamos lembrar apenas dos grandes de Rio-São Paulo, além dos mineiros e gaúchos. A união entre os clubes de grandes torcidas do Nordeste poderia ajudar a diminuir um pouco essa diferença. Para tentar combater a escalada dos gigantes, os principais times da região precisam de receitas alternativas. Não tenho dúvidas de que a saída seria o Nordestão, a única competição da parte de cima do País capaz de atrair grandes investidores e, de forma menos desigual, fortalecer seus integrantes.
Infelizmente, os dirigentes dos clubes não pensam dessa forma. Pensando apenas no presente, eles desprezaram a competição no ano passado e deixaram-na cair em total descrédito. Com pouca visão de mercado, os cartolas da região, talvez inconscientemente, contribuíram para o aumento do abismo nacional. Depois, eles vão reclamar que parte de suas torcidas está migrando para os donos da grana. Apenas o apelo da aldeia não vai ser suficiente para estancar esta sangria. Não é à toa que o Manchester United está dominando o mercado asiático. Com a globalização, as grandes marcas estão passando por cima dos médios e pequenos. O mercado é voraz e impiedoso. Nele, amigos, quem manda é a fria lei do capital.

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