sexta-feira, 25 de março de 2011

Análise da nova seleção

Técnico Mano Menezes ainda faz testes na seleção brasileira
O técnico Mano Menezes ainda tenta dar uma identidade à seleção brasileira. Ele iniciou o trabalho durante uma entressafra de talentos. A velha-guarda, formada por Kaká, Roberto Carlos e os Ronaldos, deixou a nova geração passar, mas ela ainda não disse ao que veio. Tanto que apenas o lateral-esquerdo Marcelo é um dos protagonistas no futebol europeu jogando pelo Real Madrid. Os demais "brazucas" cumprem papéis de coadjuvantes.
Essa renovação é lenta e dolorosa. O seu lado mais frágil foi apresentado nas derrotas para Argentina e França nas últimas partidas disputadas pela seleção. Os resultados negativos fizeram Mano diminuir o processo de mudanças nas últimas convocações. Para o jogo de domingo, com a Escócia, às 10h, por exemplo, as novidades parecem ter saído de um museu: Lúcio, Elano e Maicon. Figuras carimbadas nos tempos de Dunga, o zagueiro, o meio-campista e o lateral se juntam ao goleiro Julio César para dar suporte aos menos experientes. Desses, apenas Maicon não vai ser titular no jogo desta manhã em Londres. Daniel Alves está confirmado com a camisa 2, mas sabe que precisa mostrar serviço para não perder o posto para o rival da Inter de Milão.
O atacante Neymar está de volta à seleção principal
Em alta, Marcelo ganhou o lugar de André Santos na esquerda e, se repetir as atuações no Real, deve "tatuar" o número 6 nas costas. Fechando o setor defensivo, Mano continua apostando no inquestionável Thiago Silva, titular absoluto do Milan.
A construção da nova seleção continua na fase inicial das obras no setor de meio-campo. A camisa 10, sem dúvida, espera a recuperação do meia Paulo Henrique Ganso, que está voltando aos gramados depois de uma séria lesão no joelho e, na próxima convocação, deve fazer parte do grupo. Enquanto ele não vem, Renato Augusto está sendo testado na armação. Os volantes de Mano são Ramires e Lucas, jogadores de muito potencial, mas que caíram de produção em relação às últimas temporadas. O primeiro, inclusive, precisa recuperar a confiança no Chelsea. Elano é um dos melhores terceiros-homens de meio-campo do futebol mundial. Ele desempenha como poucos a função de fechar espaços e avançar nas brechas deixadas pelo adversário, principalmente na faixa direita do campo.
Na frente, a aposta de Mano é Leandro Damião, de apenas 21 anos. A promessa do Inter entrou no grupo por causa da lesão de Pato e deve iniciar a partida como titular. Sua maior dificuldade vai ser jogar na função de centroavante ao lado do individualista Neymar, que tem um enorme talento, mas está longe de ser um bom parceiro. Invariavelmente, ele busca o drible ao invés do passe e poucas vezes aparece na linha de fundo, tudo o que um artilheiro não quer ao seu lado. O alagoano William José, por exemplo, sofreu com o garoto no Sul-Americano Sub-20. Neymar precisa evoluir muito no que diz respeito ao jogo coletivo para cumprir as profecias de que será um legítimo sucessor dos Ronaldos. Robinho já teve essa missão abortada.

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