segunda-feira, 6 de junho de 2011

Editorial - Os últimos passos de um craque

Ronaldo é o segundo maior artilheiro da seleção brasileira
Ronaldo não suportou o preço cobrado pelo futebol. Caçado por zagueiros e com sérios problemas de ganho de peso, o Fenômeno sai de cena aos 34 anos. Os dias que se seguem vão ser especiais para ele. A despedida é um ato que sempre persegue o atleta. Desde o primeiro treino, o seu fantasma está sempre à espreita, pronto para roubar a alma de quem vive do corpo.  O atacante teve um caso de amor intenso com a seleção brasileira. Tanto que, sem medo de errar, atesto que ele foi um jogador mais de Copas do que de clubes.
Em 1994, aos 16 anos, o então camisa 9 do Cruzeiro foi para os Estados Unidos levando a esperança da nação. Franzino, não teve chances no time campeão de Parreira, mas adquiriu uma experiência fundamental para o seu sucesso no futebol.
No PSV, Ronaldinho perdeu o diminutivo, mas ganhou massa muscular e uma incrível potência. Os arranques do craque tomaram de assalto as manchetes dos jornais e, em pouco tempo, seu talento já o havia colocado no Barcelona, uma escola de futebol e um viveiro de ases. Lá, o atacante assombrou a torcida e a crítica. Seus feitos também ganhavam ressonância na seleção, e o craque foi reconhecido, em 1996 e 1997, já defendendo as cores da Inter de Milão, como o melhor jogador do mundo. Ostentando esses títulos, entrou na Copa de 98 com a missão de levar o Brasil ao quinto título mundial. Quase obteve êxito, mas o destino começou a ser um marcador implacável do craque. Após sofrer uma convulsão horas antes de a decisão contra a França começar, Ronaldo entrou em campo fora de sintonia e foi um mero espectador na goleada por 3 x 0.
O Fenômeno saiu do Mundial destroçado. No entanto, seu talento estava intacto. Deu continuidade ao trabalho na Inter de Milão e, mesmo sendo vigiado de perto pelos melhores marcadores do mundo, conquistou os torcedores com gols e jogadas mágicas. Mas a tendinite se acostumou no joelho do craque e, entre o final de 1998 e início de 1999, o corpo dava claros sinais de fraqueza. Antes do ano 2000, ele estourou o joelho numa partida contra o Lecce e viu sua carreira se transformar num drama de Shakespeare. A partir dali, os movimentos perderiam a sincronia e uma aposentadoria precoce parecia iminente. Cinco meses depois da grave lesão, Ronaldo voltou num jogo entre Inter e Lazio, pela Copa da Itália, e viu seu joelho desmontar no primeiro drible que tentou. Oito meses de uma lenta recuperação afastaram o craque do futebol e dos holofotes. Ele retornou aos gramados, mas parecia ser a sombra do Fenômeno. Mais pesado e lento, pouco foi aproveitado pela Inter. Apesar disso, conquistou a confiança de Felipão e foi levado, a contragosto de muitos, ao Mundial de 2002. A seleção fizera um trabalho sofrível nas Eliminatórias, classificando-se na última rodada, e o treinador decidiu apostar em Ronaldo e Rivaldo, que andavam em baixa.
 O Fenômeno chegou à conclusão que a Copa seria a única forma de fechar um pacto com a glória e, sem medo, aceitou o desafio. Fez um Mundial perfeito, marcando oito gols e, com dois deles, detonou a Alemanha numa final esperada há mais de 40 anos. Foi a consagração.  Ronaldo virou símbolo de persistência, de perseverança. Seu nome foi exaltado nos quatro cantos dos continentes e, com o terceiro prêmio de melhor do mundo, seu ciclo parecia fechado no futebol. Ele não precisava mais provar nada a ninguém. Transferiu-se para o Real e conquistou os títulos espanhóis em 2003 e 2007. Despediu-se das Copas em 2006 como o maior artilheiro da história dos mundiais, assinalando 15 gols, mas com outra dolorosa eliminação diante dos franceses. Já com sérias limitações físicas, defendeu o Milan a partir de 2007 e voltou ao Brasil para jogar no Corinthians, em 2009. Envergando a camisa alvinegra, ainda arrebatou os títulos Paulista e da Copa do Brasil e se preparou para encerrar a carreira.
A despedida de Ronaldo da seleção brasileira, terça-feira, contra a Romênia, no Pacaembu, marca o fim de uma época do esporte. Com gols, títulos e jogadas brilhantes, ele encantou toda uma geração, que, certamente, vai reverenciá-lo enquanto puder vasculhar as primeiras estantes da memória.  

2 comentários:

Mayke disse...

muito bom post

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Anônimo disse...

parabéns pela análise e os dados obtidos