domingo, 19 de junho de 2011

Procura-se um armador

O técnico Mano Menezes espera por Ganso como se ele fosse a chuva no sertão. O camisa 10 do Santos tem suas qualidades, mas, convenhamos, ainda não foi devidamente testado na seleção brasileira. O motivo dessa dependência é a falta de talentos para a posição. Nossos destaques na Europa hoje atuam na defesa. Muito por culpa dos treinadores da base, enfrentamos uma grave escassez de meias-armadores.
Já perguntei a olheiros de grandes clubes do País, coordenadores das divisões de base e jogadores, e eles afinam o discurso sobre o principal motivo do problema: a exigência por resultados. Nas categorias inferiores, os técnicos precisam mostrar serviço para buscar seu espaço no futebol. Os dirigentes exigem títulos quando o trabalho deveria ser voltado para a formação. Assim, os treinadores povoam as equipes de volantes e, quando um menino apresenta mais intimidade com a bola, é adiantado para o ataque. Na melhor das hipóteses, o virtuose precisa trabalhar o drible e a velocidade e se transforma em meia-atacante. Há também a exigência do mercado europeu, que paga muito por jogadores altos e fortes. Dessa forma, os pequeninos armadores são preteridos já nas peneiras.
Passamos por uma crise parecida em 1994. Parreira testou vários jogadores na função de armador e terminou o Mundial com um meio-campo formado por Dunga, Mauro Silva, Zinho e Mazinho. O 10 desse time era Raí, mas o craque do São Paulo parecia sentir o peso da camisa e não correspondia às expectativas do treinador. Mais tarde, Leonardo, um lateral transformado em meia, ganhou a condição de titular. Ronaldinho Gaúcho, com características mais de meia-atacante teve seu espaço e foi sucedido por Kaká.
Agora, nos resta apenas Ganso. E o jogador terá o peso do País sobre seus ombros nos próximos anos. Cabe a ele a missão de conduzir a seleção ao sonhado título mundial em casa. Ainda tenho dúvidas sobre o seu sucesso. O camisa 10 sofreu uma grave lesão no joelho ainda na fase inicial de sua carreira. Depois, foi vítima do complô dos músculos e pouco atuou nesta temporada. Tende a voltar no jogo decisivo de quarta-feira, entre Santos e Peñarol, pela final da Libertadores, já precisando desequilibrar. Depois, a exigência vai ganhar proporções nacionais na disputa da Copa América da Argentina. Isso sem contar nas cruéis comparações que virão com o argentino Messi, o atual melhor jogador do mundo.
É um longo caminho a seguir. O nosso único 10 tem muito potencial, mas ainda precisa vencer etapas. No seu único jogo que fez com a camisa amarela, impressionou. Para suportar a exigência, precisa manter o nível contra os grandes do futebol e colecionar troféus. Enquanto isso, a base tem que trabalhar para aumentar as opções criativas da seleção.

Copa América - A seleção brasileira vai se apresentar amanhã e fará exames médicos até terça-feira, e o técnico Mano Menezes iniciará o trabalho para a Copa América a partir de quarta-feira. O Brasil estreará na competição dia 3 de julho, contra a Venezuela. Na sequência, vai enfrentar na primeira fase o Paraguai e o Equador.

Até quinta- Envolvidos com a decisão da Libertadores, Elano, Neymar e Ganso só vão se apresentar à comissão técnica da seleção na próxima quinta-feira.

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