domingo, 10 de julho de 2011

Análise do empate entre Brasil e Paraguai

Paraguaios fecharam o cerco em cima de Neymar na partida de ontem 
A cobrança sobre Neymar e Ganso chegou com mais força do que se esperava. O mesmo impulso que leva garotos bons de bola ao estrelato, é capaz de derrubá-los do Olimpo. O torcedor é o mais volúvel dos seres. Declara-se apaixonado com a mesma facilidade que desgosta.
Já escrevi que não podemos avaliar a atual seleção brasileira com os olhos da precipitação. Neste sábado, o Brasil fez uma partida ruim do ponto de vista tático e técnico. A maioria dos jogadores, além de apresentar um futebol abaixo de suas qualidades, teve dificuldades até para guardar posição. Por isso, apenas empatamos por 2 x 2.
No primeiro gol do Paraguai, por exemplo, nossos dois laterais se arvoraram ao ataque e deixaram a defesa desprotegida. Daniel Alves levou uma bola nas costas e André Santos não marcou o homem-surpresa. Roque Santa Cruz, esperto, guardou a lembrança guarani na rede de Julio Cesar.
Ganso evoluiu em relação à estreia da seleção na Copa América
Neymar é a referência da seleção. Por tudo o que fez na Libertadores com a camisa do Santos, para a massa, ele tinha que desequilibrar em todas as partidas da Copa América. O garoto parece ter sentido o peso do desafio e, nos últimos quatro jogos da seleção, pouco acrescentou tecnicamente. Sua presença no duelo deste sábado, no entanto, não foi irrelevante justamente por causa das questões táticas. Neymar puxou uma legião de marcadores para o lado esquerdo da seleção. Assim, abriu-se o corredor pelo qual Jadson fez boas jogadas e Pato deveria ter se infiltrado. Daniel Alves também tinha a liberdade para encostar nos homens de frente, mas pouco fez. Numa dessas articulações pela direita, Jadson abriu o marcador e Mano cobrou até aplausos da massa.
O texto se alongou até este momento porque eu queria enfatizar a importância da movimentação sem bola. Quando o adversário se preocupa demais com um jogador, ele abre avenidas para os demais. Mesmo dentro desse cenário, o Brasil não se organizou como devia e fez uma partida sofrível.
Ganso já subiu alguns bons degraus em relação à estreia na Copa América. É nítido que sofre com a falta de ritmo, mas seu talento faz grande diferença. É um autêntico camisa 10 de toques curtos e fundamentais. Foi assim no gol de Jádson; foi assim, com maior grau de dificuldade, no de Fred. Após uma sequência de jogos, tende a aumentar seu repertório e o nível da seleção.
Lamento, por fim, que torcedores precipitados já tenham iniciado campanhas nas redes sociais contra Neymar. Ele precisa ainda queimar etapas de amadurecimento para atingir o ápice na seleção. Nem Messi, no auge de sua carreira no Barça, conquistou até agora essa condição na Argentina. Por enquanto, a carga sobre o garoto parece ser maior do que sua jovem estrutura é capaz de suportar. Talento não lhe falta; o seu maior inimigo ainda é a falta de tempo percorrido.

Aos 45 minutos do segundo tempo, Fred marcou o gol do empate da seleção
Experiência – Fred não tem o talento de Neymar, mas o centroavante colhe os benefícios do tempo. Ele criou uma carapaça capaz de suportar os ataques da torcida e da imprensa e, aos poucos, conquista a confiança de Mano. Mesmo diante de uma saraivada de críticas, marcou duas vezes nos minutos que lhe foram apresentados nas últimas quatro partidas da seleção. Sábado, entrou aos 38´ e fez um gol fundamental para a classificação do Brasil no Grupo B. O problema do atacante do Fluminense é fora de campo. Se resolver pagar o preço do comprometimento físico, pode ir longe nesse elenco.

Foi mal – Ao contrário de Neymar, que exerceu importante função tática, Alexandre Pato foi mal técnica e taticamente no jogo contra o Paraguai. Ele ainda não encontrou o tempo dos armadores e corre o risco de perder a posição para Fred. Outro que tem a condição de titular ameaçada é Daniel Alves. O lateral do Barcelona foi o pior em campo contra o Paraguai. O segundo gol deles, marcado por Valdez, nasceu de uma falha individual de Daniel. Maicon, da Inter, pode ganhar uma chance de Mano nos próximos jogos.

Brasil 2 x 2 Paraguai


GOLS: Jadson, 38'/1ºT (1-0); Santa Cruz, 9'/2ºT (1-1); Valdez, 21'/2ºT (1-2); Fred, 45'/2ºT (2-2)

BRASIL: Julio Cesar, Daniel Alves, Thiago Silva, Lucio e André Santos; Lucas Leiva, Ramires (Lucas, 24'/2ºT), Jadson (Elano, intervalo), Paulo Henrique Ganso e Neymar; Alexandre Pato (Fred, 37'/2ºT). Técnico: Mano Menezes.

PARAGUAI: Villar, Verón, Alcaraz, Da Silva e Torres; Vera, Ortigoza, Riveros (Victor Cáceres, 22'/2ºT) e Estigarribia (Martínez, 33'/2ºT); Barrios e Santa Cruz. Técnico: Gerardo Martino.

Um comentário:

Leticia e Leonardo disse...

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