quarta-feira, 6 de julho de 2011

Dunga foi injustiçado

Técnico Dunga foi destruído por uma derrota da seleção na Copa
 O técnico Dunga começa a ganhar aliados no futebol brasileiro. A má atuação da dupla Neymar e Ganso na estreia da seleção brasileira na Copa América despertou um sentimento de culpa em parte da imprensa e da torcida. O ex-treinador do escrete foi exilado do futebol após o Mundial da África. Perdeu espaço na mídia e, preso àquela derrota, não fechou com nenhum clube. Diz que agora não é o momento de voltar ao mercado. Reponde às perguntas dos repórteres internacionais, mas, magoado, mantém o luto fechado no Brasil.
Dunga passou por um processo comum a todos os técnicos da seleção brasileira desde 1958. Após o título mundial, fomos ungidos pela glória e pela soberba. “Ninguém no Planeta é capaz de nos superar no futebol”, pensa a massa. A imprensa ajudou a criar essa redoma, que, de tempos em tempos, destrói bons profissionais.
Assumir o comando da seleção tem um peso parecido com o do enigma da Esfinge. Decifra-me ou devore-te. Os campeões têm grande projeção mundial e, se souberam deixar o cargo no auge, ganham o respeito da nação. Os derrotados são tratados, muitas vezes, como desertores.
Dunga é visto ainda por muita gente boa como um terrorista do 11 de setembro. Alto lá, general! Primeiro, temos que ter consciência do assunto a ser tratado. Futebol é um entretenimento. Não podemos levantar questões tão sérias a partir do esporte. O mal do treinador foi ter sido conservador no comando do time e ter se fechado nas suas convicções. Assim, conquistou resultados expressivos antes do Mundial. Foi campeão da Copa América, líder das eliminatórias, vencedor da Copa das Confederações e, de quebra, levou a melhor sobre tradicionais rivais nos clássicos que disputou.
Ele tinha um esquema definido, que explorava o erro dos adversários. O seu time armou o contra-ataque mais rápido e mortal do oeste, mas, para sua tristeza, chegou ferido à Copa da África. Seus principais jogadores, Luis Fabiano e Kaká, sofreram graves lesões no período que antecedeu o Mundial e não reeditaram na competição as partidas das temporadas anteriores.
Mesmo assim, a seleção chegou às quartas de final e fez um primeiro tempo espetacular contra a Holanda. Na etapa final, após inesperada falha de Julio César, o mundo desabou sobre os jogadores. Inertes diante do imprevisto, assistiram ao adversário virar o resultado e eliminar o Brasil. Neste momento, Dunga foi condenado pela nação; tornou-se um inimigo de Estado.
O tempo ajudou a atenuar sua pena. Os holandeses chegaram à decisão da Copa do Mundo e perderam para a tão badalada Espanha apenas na prorrogação, por 1 x 0. A seleção mudou de comando, e os resultados não vieram. Em dez jogos, o escrete marcou apenas nove gols. Também perdeu clássicos, e o talento de Ganso e Neymar ainda não fez a diferença esperada. Eles são diferenciados, mas precisam amadurecer em vários aspectos para suportar o tranco da camisa. Se não estão bem preparados hoje, depois de conquistarem até uma taça Libertadores, o que dizer no primeiro semestre de 2010?
Dunga estava certo ao não levá-los porque não teve tempo nem de testá-los. Alguns integrantes da imprensa até dizem hoje que eles poderiam simplesmente compor o grupo, apenas para ganhar experiência. Esquecem-se que a pressão nacional pela dupla ganharia ressonância na África. Passados os primeiros minutos de dificuldades, seus nomes seriam gritados em uníssono até pelos ministros da República. Com razão, Dunga temeu perder o controle do grupo.
Hoje, passado um ano da eliminação na África, muitas pessoas sensatas avaliam melhor a situação. Observam que a seleção brasileira já não tem os melhores jogadores do mundo e que precisa trabalhar dobrado para fazer sucesso nas competições. Temos bons jogadores como outros tantos adversários. Assim, vitórias, derrotas e empates vão ser comuns para o time ao longo da trajetória. Quando voltarmos a montar um esquadrão quase imbatível, poderemos cortejar a tal empáfia pentacampeã. Por enquanto, não é aconselhável buscar no passado as respostas para as dificuldades da seleção. As novas experiências devem servir apenas para absolvermos o injustiçado Dunga das críticas desvairadas e xiitas. Ele fez o que pôde em 2010.


Um comentário:

Márcio disse...

Nunca achei que Dunga teve culpa na eliminação do Brasil. Foi muito coerente na sua convocação. Levou quem foi pra seleção e mostrou futebol. Ganso e Neymar já haviam sido convocados para seleção sub-20 e se não me engano a seleção foi eliminada na primeira fase. O que aconteceu foi que a imprensa fez uma campanha para manchar a imagem de Dunga, pois ele não aceitou os privilégios que a imprensa tinha, como dar entrevista de madrugada para o Fantástico. Dunga foi um excelente treinador.