sexta-feira, 15 de julho de 2011

Equilíbrio é a palavra de ordem de Mano

Mano Menezes aposta no talento do meia Paulo Henrique Ganso
Na condição de colunista, sou abordado por vários amigos e leitores após os jogos da seleção. A pergunta é quase sempre a mesma: “Gostou da atuação do Brasil?”. A resposta também não foge do padrão, até porque nos encontros informais não posso divagar sobre os fatores que merecem ser destacados ou criticados. A seleção precisa jogar muito para me impressionar, respondo, invariavelmente.
O resultado é determinante para o torcedor. Quando o escrete vence, independentemente da forma, o grau de exigência diminui. Os atacantes podem ter se escondido atrás dos zagueiros, a defesa pode ter errado feio na marcação e o time pode ter graves problemas de evolução, de compactação. Durante competições oficiais, quem manda mesmo é a vitória.
“Nem tanto ao mar nem tanto à terra”. Não faço análises precipitadas da seleção. O técnico Mano Menezes enxergou uma grande evolução do time entre os jogos contra o Paraguai e o Equador; eu não. Bem, para não dizerem que não falei das flores, posso dar ênfase à atuação de Maicon, na lateral-direita, e à de Pato, que cumpriu seu ofício de marcar gols. Neymar, muito marcado em campo e fora dele, também exorcizou o diabo da ansiedade balançando a rede adversária duas vezes. No mais, não gostei. Não aprovei a atuação de Robinho, que, mais centralizado, até tirou espaço de Ganso. O armador ficou por demais escondido na primeira etapa. Quando se soltou, mesmo num dia pouco inspirado, faz a diferença nos passes.
O esquema 4-3-3 é, também, pouco produtivo para o risco que o técnico corre ao utilizá-lo. Mesmo diante de um adversário menos nobre, a seleção foi pressionada e, pasmem, sofreu dois gols. É certo que o goleiro Julio Cesar cometeu falhas graves e ajudou Caicedo a ser um dos nomes mais comentados da semana no Twitter. O resumo da ópera é que a seleção não evoluiu porque enfrentou, na quarta, um adversário inferior à Venezuela e ao Paraguai. A atuação teve virtudes e defeitos parecidos com os dos jogos anteriores. Mas isso também não quer dizer muita coisa, caros leitores. Cansei de escrever nos últimos dias que a transição tem uma armadura de espinhos.
Ninguém inicia um trabalho na seleção e, com um toque de alquimia, transforma metal em ouro. É longa a jornada para o sucesso. Assim, Mano fez até agora o que dele se esperava. Ele tenta ajustar o esquema, descobrir quais jogadores merecem ganhar sua confiança e até mesmo se os rumos do trabalho não devem ser modificados. Por isso, a Copa América é um teste complicado e o cargo de treinador da seleção é proibido para menores de 45 anos.
É preciso ter experiência acumulada para encarar um projeto desse porte. Quem ceder às pressões da imprensa e da torcida é fraco; quem não alterar suas convicções após os avisos dos resultados é teimoso. Mano precisa, com urgência, encontrar a fórmula do equilíbrio. Esse é um dos segredos do sucesso de quem já venceu no comando da seleção.

Histórico recente - O Paraguai tem sido um adversário difícil para a seleção nos últimos dez anos. Nesse período, o Brasil já enfrentou o adversário de hoje dez vezes, com quatro vitórias para cada lado e dois empates. O último jogo foi disputado no dia 9 e terminou empatado por 2 x 2.A última vitória da seleção sobre o Paraguai foi registrada em 2009. Jogando no Recife, pelas eliminatórias da Copa, a seleção de Dunga venceu por 2 x 1.

Um comentário:

Leticia e Leonardo disse...

bom dia!!
marcando presença aki
flw