terça-feira, 20 de setembro de 2011

As memórias de Dida

Dida marcou época no futebol na década de 50

Há nove anos morria no Rio de Janeiro o melhor jogador de futebol nascido em Alagoas. Edvaldo Alves Santa Rosa, o Dida, conquistou espaço num mercado hostil na década de 50 e elevou o nome do nosso Estado por onde passou. Fez estripulias com a bola. Quando jogava na velha Praça da Cadeia, em Maceió, causava um tumulto no cárcere. Os presos disputavam a tapa um lugar na janela para vê-lo em ação.
Honrou como poucos a camisa do seu CSA e, em 1954, foi contratado pelo Flamengo. Na Gávea, conquistou uma geração com títulos e jogadas brilhantes. Ele foi um dos maiores de seu tempo e ainda ajudou a seleção brasileira a levantar o seu primeiro campeonato mundial. Disputou a Copa da Suécia e só saiu do time de Vicente Feola para dar lugar ao fenômeno Pelé. Grato pelos conselhos do amigo, o Rei ainda menino presenteou nosso craque com a camisa 10 que o consagrou na decisão de 1958.
Nesse período, o alagoano era acompanhado de perto por Zico, que dava seus primeiros chutes na bola tendo Dida como espelho. Em muitas peladas de Quintino, o Galinho dizia ser o alagoano quando enfileirava seus marcadores e fazia gols por atacado. Goleador, habilidoso, criativo e veloz, Dida foi um jogador quase completo. Seu maior defeito foi o excesso de humildade. Era avesso aos holofotes e talvez por isso não tenha tido mais oportunidades na seleção brasileira. A passagem pelo escrete deixou marcas profundas no craque, que não se conformava com a falta de reconhecimento dos treinadores nas convocações que vieram após a conquista de 1958.
O tempo passou, Dida se aposentou e seguiu sua vida preso aos cenários de seu passado glorioso. No dia 17 de dezembro de 2002, seu coração desistiu de bater e seus feitos ficaram cada vez mais distantes da massa. O Museu dos Esportes, em Alagoas, tem seu nome por causa do trabalho individual do jornalista Lauthenay Perdigão, mas ainda falta um reconhecimento maior.
No CSA, poucos torcedores das novas gerações conhecem a sua lenda. Tirando o museu, não há menções sobre suas façanhas em estádios, ruas ou ginásios de Alagoas. Espero que homenagens do tamanho de seus feitos resgatem, em breve, a sua história. A memória e os gols do nosso Dida não podem ser apagados pelo tempo.

2 comentários:

Doris disse...

Adorei esta matéria. Vc poderia buscar mais craques praticamente anônimos, para esta geração, que pouco sabe de tantos outros que contribuíram para o sucesso do Brasil. Gostaria, de coração, de ver outros craques fazendo parte deste blog. Parabéns!

Duarte disse...

Como sempre, parabéns pelo texto!!!!!! Vc também valoriza os valores de sua terra natal e de uma forma impecável.