quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Seleção é previsível

O amistoso entre Brasil e Gana serviu apenas para dar um pouco mais de confiança aos jogadores da seleção na véspera do clássico contra a Argentina. Não gostei da formação apresentada por Mano Menezes para a partida de segunda-feira. Ele montou um esquema inadequado para o amistoso e só não pagou pelo erro porque o meia Paulo Henrique Ganso sofreu outra lesão muscular e Opare foi expulso ainda no primeiro tempo. Explico a minha avaliação: o time ficou aberto demais com a formação do meio-campo com Lucas Leiva, volante de pegada apenas razoável, Fernandinho, um meia pela própria natureza, e Ganso, um armador que não marca ninguém. Com esses jogadores na meia-cancha e três atacantes, Ronaldinho, Neymar e Leandro Damião, a seleção entrou em campo desequilibrada. Gaúcho, aberto pela esquerda, e Neymar, pela direita, anulavam as subidas dos laterais Daniel Alves e Marcelo, melhores no apoio do que na marcação.
Por isso, Gana deu sufoco na seleção enquanto teve onze jogadores. Com a saída de Ganso, Mano fortaleceu o meio-campo ao escalar Elias e também foi beneficiado pela baixa no adversário. Com um jogador a mais, o Brasil avançou mais seus laterais, principalmente Marcelo, e o jogo ficou restrito ao esquema de ataque contra a defesa. Os africanos não mais ameaçaram o gol de Julio Cesar e, levando em conta a imensa vantagem que teve, a seleção foi tímida na criação. Gostei de Ronaldinho Gaúcho. Aos 31 anos, ele fez algumas jogadas de efeito, bateu bem faltas e executou três lançamentos precisos. Nessa partida, demonstrou mais lucidez do que Ganso e também chamou a marcação adversária. Neymar, como sempre na seleção, foi burocrático. Não encaixou dribles e foi bem menos eficiente, por exemplo, do que Leandro Damião.
Não vi tanta evolução na equipe. Vi, em verdade, um time sem objetividade e com claras deficiências táticas. Ainda penso que Mano poderia tentar montar a equipe de trás para frente. Organizando a defesa, ele poderia buscar mais qualidade no meio-campo e, por fim, definir o ataque. Não gostei até agora das nossas atuações ofensivas com três atacantes. A formação é facilmente assimilada pela marcação adversária e, por causa de sua previsibilidade, a seleção ainda está longe de convencer.

Inversões - A inversão da posição de atacantes é interessante para confundir a marcação. Mas isso precisa ser feito muitas vezes ao longo do jogo, sem que os adversários saibam em que momento vai ser efetuada a troca. Na seleção, Neymar começa na esquerda e, no segundo tempo, inverte, normalmente, com Robinho. Com a entrada de Ronaldinho, essa ordem mudou, mas a ineficiência foi a mesma.

Convocados - Os dois jogos contra a Argentina, dia 14, em Córdoba, e 28, em Belém, servirão para Mano observar os jogadores que atuam no País. O São Paulo foi o clube que mais cedeu jogadores nessa lista: o zagueiro Rodolpho, o meia Lucas, o volante Casemiro e o meio-campista Cícero.

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