sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Especial - As corridas e as arenas romanas

Marco Simoncelli morreu domingo, num acidente no GP da Malásia
 As corridas são envolventes e, desde os tempos das bigas no Império Romano, despertam grande o interesse popular. Não são poucas as pessoas que acompanham as aventuras de audazes pilotos e suas máquinas maravilhosas através dos tempos. O circo tem ainda hoje imensa projeção e, a cada ano, movimenta mais recursos.
Mas há um preço mórbido cobrado pela velocidade. Neste mês, o esporte perdeu dois nomes de grande destaque na Fórmula Indy e na motovelocidade. O primeiro foi o inglês Dan Wheldon, vitima de um acidente fatal há menos de duas semanas no oval de Las Vegas. Comparo, inclusive, os ovais com as antigas arenas romanas, onde a morte era cultuada. O circuito é feito para aumentar os riscos para os pilotos e despertar os instintos mais primitivos do público. Infelizmente, muita gente acompanha o automobilismo para ver os acidentes e muitos dirigentes alimentam, em nome do show business, esse desvio.
A Indy Rancing Car, fundada há 15 aos, é hoje bem mais insegura que a Fórmula 1, por exemplo. Certa vez, Nelson Piquet declarou que é impossível diminuir riscos de um acidente grave quando dois carros dividem uma reta a 300 km/h. Concordo, em parte. Nesses casos, o perigo é reconhecido pelo próprio piloto, no entanto, com medidas preventivas, mortes podem ser evitadas.
Não é por coincidência que a F-1 não registra um óbito desde o dia 1º de maio de 1994, quando no mesmo fim de semana perderam a vida o brasileiro Ayrton Senna e o austríaco Roland Ratzenberger. Os pilotos e a imprensa exigiram mudanças, e elas foram feitas. Os carros tornaram-se mais seguros e as pistas também receberam um tratamento especial. Com áreas de escape bem maiores, por exemplo, o risco diminuiu, mas, infelizmente, não acabou.
A Indy parece não se importar muito com segurança. No oval, quando um carro acerta o muro em altíssima velocidade e retorna para a pista, há grandes possibilidades de ser acertado em cheio por outros veículos, principalmente, quando o grid tem 34 máquinas, caso da corrida em Las Vegas. Num desses acidentes, Wheldon morreu aos 33 anos.
“Dirigi esses carros por cinco anos. As velocidades são muito altas, muito mais que nos carros da Fórmula 1. Você está a poucos centímetros um do outro e a mais de 300 por hora. Quando as coisas dão errado, elas dão errado de uma forma muito grande”, comentou o ex-piloto Mark Blundell.
Desde 1909, já morreram na Indy 41 pilotos. “Quando você olhava o que estava acontecendo na prova de Las Vegas, percebia que era um convite para o desastre e era inevitável em muitos sentidos. Estávamos lá para a última corrida do campeonato e a prova foi disputada em uma pista, mas deveria ter ocorrido em uma mesa de apostas”, atacou Blundell.
A motovelocidade é tão perigosa quanto a Indy. Domingo, na Malásia, o italiano Marco Simoncelli, de 24 anos, sofreu um impacto tão forte quando caiu de sua moto que o capacete quebrou. Os médicos dizem que ele morreu fora do autódromo, mas, pelas imagens, o telespectador percebeu, de pronto, que a morte foi fulminante, diante das câmeras.
Além de registrar acidentes de graves proporções, a motovelocidade segue cobrando um alto preço aos seus participantes. Já foram registradas 24 mortes na história da modalidade, sendo três delas na última década.

 F-1 - Como já escrevi, a F-1 é menos perigosa atualmente do que a Indy e a MotoGP, mas também tem um histórico pesado de acidentes. O primeiro caso fatal aconteceu em 1952, quando o italiano Luigi Fagioli perdeu a vida no GP de Mônaco, aos 54 anos. Ao todo, foram 27 mortes na história da modalidade.

Massa - O brasileiro Felipe Massa sofreu o último acidente grave da F-1. Em julho de 2009, uma peça do carro de Rubens Barrichello acertou o capacete de Massa na Hungria e ele correu riscos de morte. O piloto da Ferrari disse ainda estar chocado com as mortes de Wheldon e Simoncelli. “Claro, nós que corremos, todos sabemos os riscos cada vez que saímos para a pista. Quando você está correndo, você não pensa muito sobre os riscos, você sempre acelera, às vezes, bem forte. Mas, mesmo assim, é um choque terrível quando você vê algo como isso e você se lembra que o risco está lá”, declarou Massa, que vai correr na Índia no próximo domingo.

O italiano Marco Simoncelli foi a última vítima da Moto GP
Um alto preço - Atual campeão mundial de F-1, o alemão Sebastian Vettel disse que os pilotos sabem dos riscos das corridas e estão dispostos a pagar o preço. “Nós amamos correr, amamos esporte a motor e é perigoso. Existe sempre um certo risco que não podemos evitar e que estamos prontos para aceitar”, comentou o alemão, que também lamentou muito as mortes de Wheldon e Simoncelli.

O rali da morte -O rali mais perigoso do mundo, o Dakar, cobra alto de seus participantes. Lançado em 1978, o rali já teve mais de 58 mortes, os números não são precisos, sendo que 25 foram de pilotos. Com a história da corrida é mais recente do que a Indy e a F-1, por exemplo, a média de acidentes fatais é muito alta.

Brasil - A Stock Car Brasil nasceu há 32 anos e já teve quatro mortes durante suas provas. A última delas foi registrada neste ano, após grave acidente com Gustavo Soldermann em Interlagos, São Paulo.

Piquet - Nelson Piquet disse que muitas vezes entrou no carro com maus pressentimentos, mas, por amar a velocidade, nunca desistiu de uma prova. Um desses casos ocorreu no GP de Indianápolis em 1992, quando sofreu o acidente mais grave de suas carreira e teve que reconstruir o pé esquerdo.

Um comentário:

Mary Jane disse...

Muito interessante a matéria. Valeu pela informação. É mais conhecimento que estou adquirindo através do seu blog.