terça-feira, 1 de novembro de 2011

Especial - Victor Mélo entrevista astros do vôlei de praia

Ricardo e Pedro Cunha iniciaram parceria há três meses no vôlei de praia
O grande destaque esportivo do último final de semana em Maceió foi o Circuito Nacional de Vôlei de Praia. As principais duplas do País atuaram na arena montada na Pajuçara e, ao final da disputa, Larissa/Juliana e Ricardo/Pedro Cunha ficaram com o troféu da etapa.
Fui à arena e fiz algumas entrevistas com os destaques da etapa. O campeão olímpico Ricardo exaltou o trabalho que vem fazendo há três meses com o carioca Pedro Cunha. “Formamos a nossa dupla recentemente, mas já avançamos alguns degraus e conquistamos etapas importantes. O Pedro tem 28 anos, está no vôlei de praia desde os 16 e tem muita qualidade. Às vezes, quando estou mal, ele ajuda a levar a dupla e conquistamos importantes vitórias. Também posso contribuir com minha experiência e, aos poucos, vamos aperfeiçoando o entrosamento”, comentou Ricardo, de 36 anos.
O baiano destacou que o objetivo da parceria é chegar aos Jogos Olímpicos de Londres. “É um longo caminho a percorrer, já que as duplas brasileiras só vão ser definidas em junho, mas estou bem fisicamente, não tenho problemas de lesões e quero ainda jogar entre os profissionais com meu filho, que completou agora 15. Prometi isso a ele e estou me dedicando para jogar até quando estiver em alto nível. Numa análise mais fria, pretendo atuar por mais três anos”, contou Ricardo.
Pedro disse que se sente honrado por jogar ao lado de um campeão olímpico, mas nega que esteja pressionado. “Comecei a jogar vôlei de praia com o Tande e até conquistei uma etapa aqui em Maceió. Ele também tinha um currículo vencedor, e estou acostumado com essa pressão. O Ricardo me deixa à vontade, e também aprendo muito com ele. É uma troca”, explicou.
O jogador traça planos ousados para a dupla. “Fechamos um projeto maior, que tem como ápice a disputa das Olimpíadas de Londres, em 2012. Como várias duplas se desfizeram neste ano, estamos bem cotados para ficar com a segunda vaga nos Jogos. A primeira é de Alison e Emanuel. Hoje, nessa batalha olímpica, nossos principais adversários formam o time que vencemos neste domingo, Márcio e Benjamin. No entanto, ainda temos mais de 300 pontos de lastro e dá para administrar bem até a definição da vaga”, declarou Pedro Cunha.

Talita diz estar no auge da carreira

Talita vive uma grande fase no vôlei de praia e, aos 29 anos, exalta os benefícios do tempo no esporte. “A dupla está melhorando. A experiência faz com que você se torne mais inteligente no jogo. Você aprende até a treinar, diminuindo uma carga de duas para uma hora, por exemplo, mas aproveitando melhor o tempo. Hoje, eu posso não está correndo o que eu corria há cinco anos, mas estou num nível técnico bem melhor. Começo a conciliar a experiência e a boa condição física”.
Talita nasceu no Mato Grosso Sul, mas iniciou a carreira no CRB, em Maceió. “O Toroca foi o grande incentivador da minha carreira. Ele acreditava no meu potencial num período em que nem eu sabia que poderia jogar na praia. Por isso, fico muito feliz em voltar a Alagoas e lembrar aquele tempo em que tudo começou. E como gratidão à força dessa torcida, ao Toroca e à cidade, defendo Alagoas no Circuito Nacional. Isso é o mínimo o que posso fazer para agradecer”, explicou.
Talita disse que as vagas nas Olimpíadas devem ser definidas em junho


Maria Elisa - A sul-mato-grossense lamentou o fato de a parceira Maria Elisa ter se machucado na final da etapa de Maceió e disse que ela não vai forçar a recuperação. “Foi uma luxação (no dedo da mão), mas ela vai se recuperar no tempo dela. Vamos aguardar; o melhor agora é esperar, nem que a gente perca uma etapa ou não, mas ela não pode atropelar etapas, até porque 2012 é um ano muito importante para a dupla”.

Olimpíadas -
Talita não deve ter dificuldades para chegar às Olimpíadas. “Nós estamos bem à frente da terceira dupla, como Juliana e Larissa estão na nossa frente, mas isso não faz com que nós nos acomodemos. Se não jogarmos bem no início do ano, não vamos pegar ritmo nas Olimpíadas. Os Jogos têm um torneio diferente. Estamos acostumadas a jogar até três partidas por dia. Lá vai ser um por dia e mais um dia de descanso. É muito tempo para ficar pensando na vitória e na derrota. É uma coisa grande, que você tem que deixar pequena para suportar a pressão”, analisou.

Juliana fala sobre a pressão no México 

Domingo, Juliana conquistou a etapa de Alagoas do Circuito Nacional
Juliana forma a dupla mais vitoriosa do vôlei de praia atual. Ao lado de Larissa, ela já conquistou o pentacampeonato mundial e, há menos de duas semanas, também faturou o ouro no Pan-Americano num ambiente hostil. “Foi estranho mesmo. Nunca jogamos com uma torcida contra daquela forma. Era eu e Larissa contra o México inteiro e contra uma dupla que fez a partida da vida. Estávamos com um jogo quase perdido, mas, como muita concentração e determinação, viramos de maneira espetacular no último set e conquistamos este título tão importante. O campeão nunca acha que perdeu. Elas tiveram mais medo de perder do que nós de conquistarmos o ouro”, declarou.
Juliana disse que a dupla já chegou ao seu limite em 2011. “Nossa vida está sendo uma maratona. Treinamos apenas um dia para jogar esse torneio em Maceió e chegamos ao extremo físico. O calendário é muito complicado, mas há outros esportes que precisam tanto de competições fortes... Não dá para reclamar. Temos que ter maturidade para saber quais torneios vamos jogar. Temos que saber que nosso corpo tem um limite e ele avisa. Por isso, vamos fazer um planejamento para o ano que vem. Em Londres, a luta por medalhas vai ficar entre Brasil, Estados e China. Lá não tem favoritismo. Nós temos que chegar e jogar bem”, comentou Juliana.

Crédito das fotos: Maurício Kaye/CBV

Um comentário:

jane disse...

Hei Victor, mais uma vez parabéns pelo trabalho e furo de reportagem. Aos nossos campeões também os nossos parabéns das Minas Gerais, pelo brilhantismo com que representam nosso país.