quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Seleção vai queimar etapas

Mano Menezes enfrenta os problemas da entressafra da seleção brasileira
O técnico Mano Menezes considerou a temporada da seleção positiva. A avaliação geral, após a vitória por 2 x 0 sobre o Egito, no Catar, faz parte do trabalho de marketing do treinador, que precisou ser intensificado após a eliminação precoce na Copa América.
Depois do fiasco, a CBF buscou adversários estratégicos para limpar a imagem do escrete. Contra o time B da Argentina, o Brasil conquistou um título mixuruca e, mesmo assim, diminuiu a intensidade das críticas.
Mais tarde, vieram amistosos com o hoje combalido México e com as babas do Gabão e do Egito. Vitórias foram conquistadas, mas o futebol não empolgou. E não culpo o técnico. Considero que Mano faz um trabalho dentro do previsto e até escrevi sobre o isso outras vezes. Ele pegou um grupo disperso e, na base da pancada, vai tentando montar seu onze ideal. Ainda não conseguiu.
Os testes começaram radicais e as cobranças vieram com gosto. Balançando no cargo, o treinador resolveu ser mais moderado. Trouxe veteranos que não devem acrescentar nada ao projeto de 2014, mas que hoje servem para dar base à equipe. Faz parte da estratégia.
O importante do trabalho de um técnico de seleção é montar um grande quebra-cabeça separadamente. Ele vai buscar seus homens de confiança, depois tenta colocar em prática seu sistema predileto, avalia alternativas para possíveis imprevistos e, por fim, escala seus titulares. Na reta final, junta as peças e torce para todas as partes encaixarem.
Mano ainda precisa de peças para montar sua espinha dorsal e treiná-la. Hoje, o zagueiro Thiago Silva, o lateral-esquerdo Marcelo e atacante Neymar estão acima da média do grupo. Em condições normais, mesmo sem terem jogado tanto, vão ser titulares em 14. O resto é uma incógnita.
Mesmo o badalado Daniel Alves, do Barcelona, deve grandes atuações com a camisa da seleção. No meio-campo, Lucas Leiva, Ramires e Ganso oscilam demais para serem efetivados na equipe, da mesma forma que o centroavante Leandro Damião ainda não foi devidamente testado. O destaque do Inter despontou bem, mas é jovem demais e ainda precisa de tempo para provar se suporta o peso da nove. Pato, até agora, não agüentou o tranco.
A verdade é que o Brasil tem uma geração talentosa e jovem. E, nesse caso, o tempo de serviço pode virar patente. É difícil para essa turma enfrentar a pressão de uma Copa no País do Futebol. Normalmente, a maioria vai alcançar a maturidade em 2018.
O símbolo desse grupo é Neymar, que já tem vaga cativa na seleção sem nunca ter sido tão brilhante no escrete como vem sendo no Santos. Mano reza todos os dias para o diferencial de seu time encorpar nos próximos anos e confirmar as profecias sobre seu talento incomum. Hoje, a seleção depende muito do brilho do atacante para chegar em boas condições em 14. Alemanha, Uruguai e Espanha estão alguns degraus acima do futebol brasileiro. E não é uma questão de técnico, é de entressafra.

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