terça-feira, 6 de março de 2012

Crônica - A poesia de João Cabral e a euforia do CRB

Cristiano, Giovani, Ítalo, Rodrigo Dantas e Rodrigão; Everton Luiz,
 Maradona, Jadílson, Thiago Marabá, Elsinho e Diego Aragão
O futebol vive de ciclos. Os tempos de dificuldade realçam o valor das vitórias. Certa vez, caro leitor, o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto explicou sua paixão pelo América do Recife com sábias e precisas palavras: “O desábito de vencer não cria o calo da vitória; não dá à vitória o fio cego nem lhe cansa as molas nervosas”. Mas, quando apareciam, continuava o poeta, os triunfos eram comemorados com requintes, como se um banquete de cerimônia fosse apresentado a cada torcedor. O título, então, era a catarse. Comemorações tão efusivas que ganhavam lugar na primeira estante da memória.
O CRB passou por algumas provações nos últimos anos. Viu o ASA conquistar a hegemonia do Estado e, por pouco, não visitou os descampados da Série D. A perda repentina do calendário atormentava o regatiano. Depois de 15 anos na Segundona do Brasileiro, a decadência parecia iminente. Parecia.
O Galo renasceu com este elenco. Pode não ser um esquadrão invencível, mas acostumou-se a vencer e a alimentar o universo fantástico de seu torcedor. A conquista da vaga na Série B veio com planejamento e um trabalho muito bem executado. Um grupo vencedor foi formado, trouxe a glória da Série B e seguiu na Pajuçara para o desafio do centenário.
Nesses tantos anos de futebol, o CRB viveu fases distintas, atravessou vários ciclos. Em 2011, o disco do Galo, enfim, virou. O ruim tornou-se bom, e os tempos difíceis serviram apenas para aumentar o poder do grito. Domingo, deu para ouvir a voz da massa vermelha por léguas de distância. Essas palavras foram alimentadas por sofrimento, esperança e, principalmente, pela força das derrotas recentes.

Personagem - Cristiano merece destaque no time do CRB. O goleiro viu o estádio tornar-se hostil quando Audálio marcou o segundo gol do ASA na prorrogação. A derrota pesaria sobre suas costas. Mas veio o gol de falta de Giovani e, com ele, as cobranças de pênalti.

A defesa - Refeito do erro, Cristiano defendeu o pênalti batido pelo artilheiro Lúcio Maranhão e foi muito importante para o desfecho da trama. Com a taça do Primeiro Turno nas mãos, o goleiro chorou as lágrimas da recuperação.

Crédito da foto; Yvette Moura/ O JORNAL

3 comentários:

Aline disse...

Pô cara, o que dizer???? Cada dia vc me surpreende mais com a forma de escrever: Esportiva, mas com toque cultural como nesta matéria. Isso sem falar na forma simples e na linguagem correta. Parabéns mais uma vez. Das Minas Gerais, Aline... sempre seguindo seu blog, ainda que não faça sempre comentários.

Wilkinson disse...

Bela crônica sábio poeta. Só quem ama o futebol teria tamanha inspiração para produzir esse belo texto. Saudações Regatianas. Um abraço companheiro Victor.

Blog do AnDRé fALcÃO disse...

Muito boa a crônica! É o que se pode dizer de uma crônica quase 100% literária, sobre o tema futebol. É que 10% (o final) foi jornalística (demérito algum, tampouco). Fugiu do lugar comum. Parabéns!