domingo, 11 de novembro de 2012

O Fluminense e a maior arrancada de todos tempos

 Fred já se tornou uma lenda do Tricolor (Nelson Perez -Assessoria FFC)
Há 15 anos, o torcedor do Fluminense chegou a pensar no fim. Uma legião de tricolores fanáticos foi forjada no sofrimento. Altivos, quase todos afastaram os maus presságios e mantiveram a esperança de que o futuro seria responsável pelo conforto. Mas a esperança é abstrata, desprezada pelos agnósticos.

Não era fácil torcer pelo lendário Tricolor. Mas quem amava esse clube jamais o abandonou. Nas pelejas menos nobres, estavam todos lá, em busca de notícias no radinho que atenuassem a dor das derrotas recentes. Lembro que o ilustre técnico Carlos Alberto Parreira citou o Ipswich, da Inglaterra, como um alento à torcida. “Esse time inglês já saiu da Terceira Divisão e voltou à elite. É possível a reviravolta”.

Parreira talvez não soubesse que o exemplo para o futebol não residia na Inglaterra, sempre esteve nas Laranjeiras. A esperança da retomada era acalentada a cada partida, a cada treino. E o feitiço do esporte decidiu se espalhar pela linda camisa tricolor.

Veio o tempo e com ele as vitórias se multiplicaram. Ídolos nasciam e se misturavam à equipe. Os mesmos agnósticos podem minimizar hoje o feito, exaltando apenas o patrocinador. Os recursos deram, sem dúvida, o norte às conquistas. Mas mesmo antes de os cofres serem recheados, já se ouvia as trombetas da mudança.

O Fluminense voltou à elite dando trabalho aos adversários, se impondo em todos os campos de jogo. Com a confiança restabelecida, os títulos surgiriam naturalmente, até porque não há mais dúvidas sobre o pacto desta camisa com eles.

A Copa do Brasil de 2007 apontou o caminho, mas ainda estava por vir a geração que colocaria o clube no patamar erguido no dia 21 de julho de 1902, data de sua fundação. No entanto, para testar a fé dos tricolores, ainda havia uma grande provação a ser cumprida. Quase rebaixado em 2009, o Fluminense engatou a mais improvável sequência de vitórias da história do futebol. Os agnósticos que continuaram torcendo pelo Fluminense passaram a andar de joelhos. Desde então, muitos deles fizeram voto de pobreza e exaltam milagres de João de Deus com a fé de um franciscano.

As lágrimas dos tricolores hoje não têm mais a composição dos tempos inglórios. Aquela famosa arrancada não terminou em 2009. Seus passos acelerados deixaram pegadas no título brasileiro de 2010 e nas conquistas do Carioca e do Nacional deste ano. Conca, Deco, Cavalieri e Fred já são lendas tricolores. Daqui por diante, quando o torcedor vir uma sequência de quatro estrelas no céu, vai reverenciá-los com dois toques no elmo.

2 comentários:

Maria disse...

Não vamos tirar o mérito do Flu, mas é preciso ser consciente também que ...... ajuda não faltou. Dizem que é sorte.... conheço por outro nome.

Adalberto Moreira disse...

Crönica brilhante. Maria, o Fluminense tem competëncia e camisa, náo sorte.