terça-feira, 17 de setembro de 2013

Ex-jogador do CSA, Djavan reverencia o time de sua infância

A música de Alagoas ganhou projeção nos acordes de Djavan Caetano Viana. As canções compostas por ele envolveram duas gerações, ao menos, e são reverenciadas com ênfase por anônimos seguidores e artistas consagrados. Mas o talento do alagoano poderia ser desenvolvido em outra forma de arte. Antes de fazer sucesso nos palcos da década de 70, Djavan ensaiava dribles e lançamentos no campo do Mutange.

Entre 12 e 16 anos, o garoto se destacava na base do Centro Sportivo Alagoano e só não seguiu a carreira porque já havia sido tocado definitivamente pela música. A rica coleção de discos de Ismar Gatto, pai de um amigo, e as notas tiradas do violão definiram a sua trajetória, afastando de vez um promissor meio-campista dos gramados.  Daquele tempo ainda restaram as lembranças, o velho campo no Estádio Gustavo Paiva e o carinho pelo CSA.

Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, o músico lembrou, com um toque de nostalgia, das aventuras de boleiro e disse ainda sofrer pelo escudo que já defendeu.

- O CSA é a minha paixão de infância e adolescência. Tinha meus ídolos, como o Ítalo, que eu vi jogar, mas o maior de todos os tempos dos alagoanos foi o Dida, que eu não vi jogar. Quando ele se transferiu para o Flamengo, eu era muito pequeno. Mas eu sou azulino até hoje e torço para que o CSA volte a ser aquele time glorioso que sempre foi – conta Djavan.

Não é à toa que o azul se destaca no trabalho de Djavan
(Foto: Tomás Rangel)
Após longos embates, a música venceu a disputa com a bola por volta de 1965.

- Até os 16 anos, eu achava que meu futuro seria o futebol. Era centroavante e depois virei meia-atacante, e fazia meus golzinhos. Antes de jogar no CSA, atuava num time amador chamado Grêmio, que nunca perdeu. Mas até a minha escolha pela música, não tocava nenhum instrumento. Quando descobri o violão, acabou.

E o futebol, de certa forma, também influenciou na trajetória do artista. Quando deixou Maceió para tocar a carreira no Rio Janeiro, em 1973, Djavan teve a ajuda do narrador esportivo Edson Mauro, um conterrâneo que o apresentou ao produtor da Som Livre João Mello. Enfim descoberto, o músico foi convidado a interpretar canções para novelas e não demorou a gravar seu primeiro disco, em 1976. Em “A voz, o violão e a música de Djavan”,  a canção Flor de Lis, composta pelo alagoano, ganhou destaque e tornou-se referência de seu trabalho.

Azul
O artista, de 64 anos, tem ainda uma ligação especial com as cores, apresentadas em canções marcantes ao longo de sua carreira. O azul, em particular, ganhou uma música forte, interpretada em 1982 por Gal Costa e gravada pelo compositor no disco “Djavan ao vivo”, de 1999. Nela, não há referência ao clube de sua infância, mas o encanto da camisa pode ter realçado o tom da escolha. Nos estádios, os fãs convictos do alagoano não têm dúvidas disso.

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