sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A resposta de Quintana

Mário Quintana (Foto: Dulce Helfer)
Há poesias devastadoras em apenas uma frase. Tudo depende tão somente do contexto. Em se tratando de Mário Quintana, duas ou três palavras unidas podem ter o poder transformador dos Lusíadas.

Houve um tempo em que o poeta gaúcho passou por sérias dificuldades financeiras. O jornal onde trabalhava em Porto Alegre, o Correio do Povo, havia fechado temporariamente e ele fora despejado do Hotel Majestic, por não ter como pagar as diárias.

Solitário contumaz, Quintana não tinha esposa ou filhos, e vivia em quartos de hotéis. O ex-jogador Falcão ficou sensibilizado com a história e acolheu o poeta no Hotel Royal, de sua propriedade. O espaço tinha dimensões reduzidas, mas a delicadeza foi aceita de bom grado.

Certa vez, uma amiga de longa data foi recebida por Quintana. Inquieta, questionou se ele não era grande demais para viver em tão reduzido cômodo. Com o olhar no infinito, o poeta deu a resposta definitiva sem precisar de tempo para revolver as engrenagens. "Não preciso, eu moro em mim mesmo".

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