segunda-feira, 24 de março de 2014

Leio e recomendo: Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa foi médico, soldado e diplomata. No entanto, encontrou a fonte primária de seu trabalho literário nos sertões mineiros, sorvendo a alma dos vaqueiros e a fé dos jagunços. Dizia que o problema da infância é a grande quantidade de adultos. Já, enfim, independente, trancava-se no quarto para imaginar e escrever sobre todos os que conhecia. Mas não de forma simples, pueril. A narrativa de seus livros é carregada pela influência do mundo fantástico do autor. Manuelzão foi um de seus personagens definitivos, rico em coragem, fala e trejeitos.

Guimarães desistiu da medicina por ser incapaz de salvar todos os pacientes. Quando um morria, o médico se isolava na própria casa e buscava refúgio nas lembranças dos campos livres das Gerais. Por lá, reina soberano desde o lançamento do impactante Sagarana, em 1946.

Leio de um sorvo no momento Grande Sertão: Veredas, publicado em 1956. Envolvido pela narração em primeira pessoa do jagunço Riobaldo, sou capaz de fugir das balas envenenadas e pensar noutro desfecho para Diadorim. Recomendo a leitura a quem acredita que neste mundo mágico ninguém morre, se encanta. Guimarães Rosa encantou-se em 1967, mas, antes, sua obra já havia lhe conferido o poder dos imortais.

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