sexta-feira, 18 de abril de 2014

Migração de palavras

Espera é palavra comum em quase todas as frases
Dizem só por costume buscá-la no vão da eternidade
Há quem espere sofrendo, calado, por longa viagem
Há quem quebre barreiras e até essa espera em metades

Espera carrega consigo outra parte mais nobre
Menos triste talvez por ser jovem, liberta, aliança
Enquanto o velho espera, o novo se assanha e corre
Distraído em visão infantil e fatal, chamada esperança

Onde elas se fundem, e talvez se completem,
Não costumam dizer, até da pergunta se escondem
Mas entre uma e outra há longa vertigem, conceito, mais nada

Elas seguem à procura somente de estada segura, destino distante
E se lá, no futuro, descobrem essa chave tão simples que abra
Podem lhe explicar a fusão tão disforme, é certo, em palavra

(Victor Mélo)

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