sábado, 26 de abril de 2014

Recomendação aos leitores de Nietzsche

Há um fascínio por Friedrich Nietzsche entre novos pensadores. Quem se aventura nos labirintos filosóficos se depara com o alemão na primeira estante das bibliotecas. É cult carregar os livros assinados por ele no fim do século XIX. Quem deseja, no entanto, entendê-lo precisa de imediato conhecer o processo de desconstrução por ele proposto.

Nietzsche ao piano (foto: Cambridge University Press)
Nietzsche considerava a psique, a mente, como o todo, e a consciência a iluminação de uma pequena parte dessa complexa estrutura. A luz da lamparina no mar. Mas o "eu", de acordo com seu pensamento filosófico, não é o responsável pela luz que clareia a pequena parte. Esse movimento depende da vontade de potência, ou a energia que dispomos para executar as mais diversas atividades. Ela é oscilante e se fortalece na medida em que adquirimos conhecimento, desde que não estejamos em esgotamento físico ou reflexivo. Eis a razão para o alemão escrever sem tópicos, sem divisões do pensamento.

Voltando à capacidade de desconstrução do filósofo, analisemos seu trabalho. O martelo invisível de Nietzsche tenta golpear de todas as formas o que ele chama de pés de argila dos ídolos. Ídolos estes que aprisionam o homem a valores superiores capazes de freá-lo. Assim, desde sua obra mais simples, e mais indicada a iniciantes em sua leitura, o Crepúsculo dos Ídolos, ele ataca com veemência os líderes que norteiam os princípios do freio. A exemplo de Platão, que defendia o mundo inteligível em detrimento ao mundo sensível, material, de Aristóteles, defensor da teoria da imensidão do Cosmos em detrimento à realidade da terra, e das religiões monoteístas, com dogmas rígidos, capazes de levar o cego fiel ao paraíso, ao céu, à eternidade.

Em seu pensamento pouco ortodoxo, Nietzsche quebra, ainda, conceitos anteriores. A negação dos valores superiores, os freios, pode ser definida como niilismo. No entanto, em sua obra, o filósofo alemão não tem compromisso com velhas respostas e apresenta o niilismo como o antônimo de seu verdadeiro significado. Segundo ele, o niilista cumpre tão somente esses princípios morais e nega as sensações de prazer apresentadas pela vida.

O alemão atinge o objetivo de desconstruir na medida em que ataca os ídolos, mas não apresenta saídas para o labirinto das ideias. Seu pensamento não pode, por nada, ser desperdiçado com a busca pela salvação da humanidade. Não é esse o intuito, advertia. Diante dessa pequena introdução à obra do filósofo, recomenda-se  "Assim Falou Zaratustra" apenas a quem conhecer os outros livros do autor. No vômito de suas frases, a moda ditada pelo profeta persa vai apenas confundir iniciantes e embaralhar as complexas cartas filosóficas.

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