quarta-feira, 18 de junho de 2014

A música e os traços da personalidade

A música é capaz de transformar. Melodia insinuante, letras persuasivas, recados políticos ou poéticos. Há, sem dúvida, na combinação de notas e palavras ações capazes de gerar movimento, revoluções. Peça uma lista de dez canções a alguém e decifre traços marcantes de sua personalidade.

Há quem descarte as reflexões em razão do ritmo, do agito. Há quem selecione repertório mais  sofisticado, engajado ou crítico. É tudo questão de humor, tempo e aprendizado. Um bom ouvido musical requer dedicação. As escolhas podem ser variadas, há respostas para nossas inquietações nas mais diversas escalas musicais. O importante é estar atento para escutá-las.

O cinema nos ensinou que a vida tem trilha sonora. As mais diversas passagens da sua, caro leitor, devem ter sido marcadas por melodias. Quando há tempestades com força suficiente para varrer nossa história, as músicas estão sempre prontas para nos confortar, para lembrar que há sol no outro dia e a vida se renova a cada faixa. A velha melodia abre clareiras para novas experiências e a alma se reflete em dança. Mesmo que solitária.

A música aguça a sensibilidade e nos torna menos nocivos. Uma das formas de fugir do animal raivoso que nos habita é ouvir os acordes da nossa essência. Salve os grandes músicos de tantas estações. Não fosse a junção de notas por eles desenvolvida, nos perderíamos em meio ao ruído inútil das máquinas.



Bach e Venturini

No vídeo acima, o violinista Julian Lloyd Webber executa a Sinfonia da Cantata 156, composta pelo alemão Johann Sebastian Bach por volta de 1729. Há nessa música uma melodia reverenciada no popular e no erudito. Ela serviu de base para Céu de Santo Amaro, conhecida pela gravação na última década de Caetano Veloso e Flávio Venturini, autor da letra em português. Os acordes e as palavras são marcantes nas duas versões, em tempos distintos. Escolha a sua e, como eu, se curve ao poder persuasivo da arte.

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