terça-feira, 15 de julho de 2014

Sessão Lado B - Reverência ao samba de João Nogueira

João Nogueira e violão
A Sessão Lado B volta ao blog com um sambista maior. O trabalho do carioca João Nogueira merece mais reverências no país. A memória de rádios especializadas em boa música deveria também ser clareada com a bossa desse artista, que aprendeu cedo os acordes na viola do pai, inspiração para a carreira, composições e conduta. A parceria com o excelente letrista Paulo César Pinheiro tem faixas de qualidade incontestável, todas interpretadas com a potente voz de João. Destaco as belíssimas Súplica, E Lá Vou Eu e As Forças da Natureza.

O trabalho do sambista também se diferencia pela sequência de músicas marcantes. Espelho, de 1977, por exemplo, teve continuidade tempos depois com Além do Espelho. Ambas, atesto, têm ritmo e mensagem sublimes. A busca pela inspiração, a malandragem nos bares do Rio, descrita com requinte em Baile no Elite, o desafio ao tempo e a crítica social ainda são traços característicos de sua obra. As interpretações de Clara Nunes também reforçam o legado de João e Paulo Cesar. Os três se completavam com voz, melodia e palavra, e erguiam o estandarte do samba em tempos difíceis.

Policarpo Quaresma de tamborim, ele saiu em defesa da música nacional na década 70, criando o famoso Clube do Samba ao lado de outros grandes nomes da MPB. Lutando contra o movimento da discoteca e dos estrangeirismos, teve ainda importante ação de ativista. Não gostava nas peladas nem mesmo de passar a bola para os roqueiros. Dizia, brincando, que atrapalhava a qualidade do jogo.

O coração do Malandro JB deixou de balançar aos 58 anos, em 2000, mas João Nogueira tem lugar especial nas coleções de quem aprecia a boa música brasileira. O espelho, o violão e o anel de bamba não serão quebrados enquanto o samba resistir.

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