quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Ausência

O que houve com a paisagem certa vez formada?
Se faz dispersa em cores rasgadas, derrotas sentidas
O que pode haver de certo nesse canto frágil?
Capaz de reclamar do sol sua ausência em vida

Ausência que perfura paredes, ausência que mensura o tempo,
A mesma que quando a dor se rende, faz render o vinho e o sentimento
Se há ação movida por sentidos, não há fim entre mortos pela ausência.
Se ela longe agora tem dormido, neste sono febril entre cores se apresenta

Gira a roda e o moinho sorrateiro até a paisagem converter
A lembrança guarda com carinho o que o tempo tenta esconder
Mas a lembrança é forte, destemida, e de pouco precisa para andar
Se correr pode preencher a vida que a ausência, por remorso, quis tomar.

(Victor Mélo)

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