terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Um réquiem para Jobim

Tom Jobim - Divulgação
Tom Jobim faz muita falta. O maestro que só tocava as boas notas compôs a trilha sonora do Brasil criativo, de natureza exuberante e de amores possíveis. Era amplo. Buscava sequências perfeitas ao piano ao mesmo tempo em que caçava as palavras adequadas. O encaixe era arte. Na música, seguiu, por instinto, as partituras de Villa-Lobos e na poesia chegou a impressionar seu mestre, Drummond, ao fazer a letra arrebatadora de Águas de Março. Não precisava o compositor de dicionários de rimas para juntar as palavras. Elas estavam todas ao seu alcance, prontas para serem ditas.

Jobim era homem de vários interesses. Por ser eclético, talvez tenha alcançado patamares incomuns para músicos brasileiros. Conquistou o mundo, encantou Sinatra e ajudou a criar a Bossa. Se irritava com os críticos que, apenas pelo prazer do ataque, diziam que o movimento de Tom, Vinícius e João Gilberto era formado pela base do jazz, oitenta por cento americano. Qual o quê! O maestro era brasileiro até no nome, mas ganhou status de imortal fora do país. Coisas nossas.

Vinte anos se passaram e a morte de Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim pouco toca as novas gerações. A perda sentida merecia ainda o lamento dos pássaros, um choro sincero de Pixinguinha ou um Réquiem de Mozart. Os anos dourados da nossa música não fazem parte tão somente de febre nostálgica. Eles formam hoje um hiato no tempo, com batidas sincopadas e lembranças dissonantes.

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