sábado, 21 de fevereiro de 2015

Cinema: Bill Murray leva Charles Bukowski para as telas

Fui ao cinema sem grandes expectativas para assistir a um filme de título pouco convidativo. Um Santo Vizinho, convenhamos, não sugere nada além de entretenimento barato. Ao menos, mataria o tempo no carnaval e aproveitaria a pipoca amanteigada. Enfim, comprado o ingresso, tomei coragem e encarei.

Mórbida semelhança: Charles Bukowski e Bill Murray
Bill Murray é um excelente ator, mas a sinopse também não ajudava muito. Parecia ser tão somente uma comédia descartável, daquelas que sustentam audiência mediana na Sessão da Tarde. Tudo corria conforme o esperado, até eu me deparar com Charles Bukowski na tela.

Murray parece ter incorporado o poeta e escritor "maldito". O jeito largado, as sacadas de humor ácido, a camisa branca e o pessimismo estavam todos ali. Certas cenas me remeteram ao livro Misto-Quente, capaz de levar o leitor ao submundo da alma. Cheiro de ralo mesmo. Se Bukowski não foi a inspiração do ator, posso afirmar que estava diante de Henry Chinasky, o alterego do escritor em quase todos os seus romances.

Como um veterano de guerra rabugento, Murray dá um banho, domina os diálogos e toma conta das cenas, com destaque para a dança de "Somebody to Love" em meio ao caos de um bar copo sujo. A música, para quem não conhece, é de uma banda psicodélica da década de 60 chamada Jefferson Airplane. O som e a dança nos levam à Rota 66 e à desordem de ideias. Veneno puro contra o cotidiano. Voltando ao cinema, o roteiro do filme tem muitos clichês, mas a atuação vale prêmios, reverências e ingressos. O velho Murray continua aprontando das suas.

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