segunda-feira, 23 de março de 2015

Cenas de cinema: P-51, Cadillac do céu

Nos últimos dias estive vasculhando as memórias em busca de cenas marcantes que vi no cinema. Convido ainda o amigo leitor a fazer o mesmo e, se possível, deixar a experiência nos comentários do blog. A tarefa é instigante, sem dúvida. Me perdi por um bom tempo e creio que até serei injusto, mas não vou fugir da missão.

Fechado o trato, lá vai a primeira da série, com honras militares. De trás pra frente. Na infância, caros leitores, o filme que mais me sensibilizou foi sem dúvida "Império do Sol". A guerra contada do ponto de vista de uma criança mexeu com a minha imaginação. A vida tranquila, tomada por brincadeiras e poucas responsabilidades, poderia ser modificada pela ação mais terrível do homem, a mais insana delas. Até assistir a este filme, via a guerra como um jogo de adultos, sem calcular o peso das mortes, do terror.
 

Em 1989, tinha 11 anos e fui tomado pela cena em que o menino Jim Graham, interpretado por Christian Bale, desafiava as bombas no teto de um prédio abandonado no campo de concentração japonês. Ele colecionava miniaturas de aviões e atravessou o filme sendo tocado por esta paixão. A máquina e os pilotos faziam o garoto deixar o sofrimento em segundo plano. Chegou, então, o momento do encontro mágico. E os movimentos da câmera foram perfeitos.

Na cena marcante, aparecem os famosos Mustangs P-51, que Jim chamava, aos berros, de "Cadillacs do céu". No contexto da história, na ilusão da criança, o drama por alguns segundos se desfaz na poeira do ataque. A imaginação infantil fez o menino fugir da guerra e imaginar o piloto acenando para ele. Visão lírica em meio ao caos.

Jim não se contém ao ver os aviões de tão perto e só retorna à realidade quando o médico tenta salvar sua vida. O choro compulsivo desfaz o encanto. Há poesia e verdade na sequência. É uma sublime transição, que mostra a sensibilidade do diretor Steven Spielberg e a espontaneidade de Bale.

O filme recebeu críticas por ser longo e ter alguns clichês. Com o tempo, de má vontade, percebi os defeitos, mas esta e outras três cenas de "Império do Sol" foram guardadas na primeira estante da minha memória. Passagens que me ajudaram a reverenciar o cinema e até escrever sobre suas fascinantes histórias. Salve, Jim!


 

Império do Sol (Empire of the Sun)
Ano: 1987 (EUA)
Duração: 2h34min
Diretor: Steven Spielberg
Atores: Christian Bale, John Malkovich, Miranda Richardson

Gênero: drama

3 comentários:

Anônimo disse...

Victor, a melhor cena que vi foi do filme Cantando na Chuva, a clássica.

Parabéns pelo blog. Muito bem feto.

João Neto

Anônimo disse...

Caro Victor,

te respondi na redação, mas mesmo assim vou deixar aqui o meu registro de qual filme mais me marcou.

Eu sempre assisto Rei Leão, da Disney, quando estou em um momento triste ou indeciso. Sei que por ser um filme voltado ao público infantil eu pareça estar sendo boba, mas foi ele que me marcou.

Eu o assisti pela primeira vez aos quatro anos de idade. Segundo a minha mãe, foi também o primeiro filme que me fez chorar.

Veja o que tirei de lição:

-A vida é um grande ciclo, o que faz dela uma roda gigante. Um dia você está em cima, no outro, embaixo;
-As pessoas que você deve contar (na maioria das vezes) são seus pais e amigos. Infelizmente demora um tempo para sabermos quem de fato podemos chamar de amigos. Você vai passar por isso e sofrer no caminho;
-A inveja e a ira vão te rondar por onde quer que esteja. Você vai amadurecer para ignorar isso;
-As pessoas que você ama vão morrer. Você vai sofrer até poder sentir que elas podem "viver em você" pelas suas lembranças.
-A saudade ensina o valor do tempo, aproveite-o;
-Você pode ignorar seus problemas por um tempo, assim como ensina a "Hakuna Matata". No entanto, um dia vai ter que enfrentá-los, se quiser seguir em frente;
-Escute seus pais. Eles viveram mais do que você e passaram pelas mesmas coisas. Você só vai compreendê-los quando se tornar pai, então, tenha paciência ao receber um "não";
-Você deve amar e casar com a seu melhor amigo(a). São eles que vão ficar ao seu lado independente de qualquer coisa;
-Nunca julgue alguém pela aparência;
-Respeite os mais velhos. Eles sabem o que dizem;
-Sempre vai existir alguém mais "simples" e mais "chique" do que você. Isso não é parâmetro para tratá-los de forma desigual. Não se esqueça que a "roda gigante" vale para eles também;

Bom, é só o que me lembro agora. Obrigada por proporcionar este espaço. Espero que tenha gostado.

Roberta.

Mariana disse...

A que mais me marcou, e que me leva de volta ao filme várias vezes por ano, é a cena final de "As Pontes de Madison".
Meryl Streep (que também é minha atriz favorita) passa tanta emoção e dor ao lutar contra a vontade de largar tudo e ir embora com Clint Eastwood, que me é quase impossível ver o resto do filme por conta das lágrimas.

https://www.youtube.com/watch?v=AXiX5eN2OIA